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O que parece uma brincadeira inocente com frutas humanizadas tem preocupado especialistas em saúde mental. A chamada "Novela das Frutas", fenômeno viral nas redes sociais com personagens como "Abacatudo" e "Moranguete", esconde por trás das cores vibrantes e do humor um conteúdo preocupante: linguagem ofensiva, preconceito, misoginia, sexualização e até morte. Produzidos por inteligência artificial e estruturados como pequenos episódios no estilo reality show, os vídeos conquistam crianças e jovens com enredos envolventes, mas especialistas alertam que o consumo frequente pode levar à banalização de situações graves. "O cérebro se acostuma com coisas fáceis. Tudo que exige mais reflexão vai sendo deixado de lado. Você ri, esquece, e é nesse esquecimento que acontece a banalização", explica a psicóloga Maysa Nóbrega.
A psicóloga Victória Pannunzio avalia que o uso de personagens animados suaviza a percepção de temas delicados, permitindo que o espectador se identifique com as histórias com um certo "afastamento emocional". O problema é que a estética dos vídeos cores vibrantes e elementos visuais semelhantes aos de desenhos infantis amplia perigosamente o alcance entre crianças. "Se o conteúdo está na internet, ele pode chegar até a sua criança. Em algum momento, seu filho pode cruzar com um vídeo que aborda esses temas. Na infância, o acompanhamento precisa ser mais direto. Você vai precisar observar, conversar e orientar", alerta Maysa. As plataformas, mais uma vez, mostram-se ineficientes no controle parental.
O fenômeno é mais um exemplo de como os algoritmos das big techs impulsionam conteúdos virais sem qualquer filtro ético ou preocupação com a saúde mental dos usuários especialmente os mais vulneráveis. Especialistas classificam esse tipo de material como "brain rot" (apodrecimento cerebral), um consumo superficial e pouco reflexivo que favorece a dessensibilização. A recomendação dos psicólogos é clara: os responsáveis precisam ficar atentos, conversar com as crianças e orientá-las, já que o controle parental oferecido pelas plataformas tem se mostrado ineficiente para barrar a exposição dos pequenos a conteúdos nocivos. Enquanto isso, "Abacatudo" e "Moranguete" seguem viralizando e preocupando.
Com informações do Metrópoles.
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