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A perseguição política contra as autoridades brasileiras que combatem o golpismo ganhou um novo e alarmante capítulo nesta segunda-feira (20). A Casa Branca, sob o governo de Donald Trump, anunciou a expulsão imediata do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho do território estadunidense. Carvalho, que atuava como oficial de ligação da PF junto ao ICE (serviço de imigração dos EUA), foi o braço técnico fundamental na recente prisão de Alexandre Ramagem na Flórida. Em um comunicado carregado de retórica ideológica, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental acusou o delegado de "manipular" o sistema migratório para contornar processos de extradição e promover o que chamou de "caça às bruxas" em solo americano.
A medida é vista como uma retaliação direta e política à tentativa de trazer Ramagem, ex-diretor da Abin de Jair Bolsonaro e condenado a 16 anos pelo STF, de volta ao Brasil para cumprir sua pena. Ramagem foi preso no último dia 13 por questões migratórias, em uma operação que a própria PF brasileira classificou como fruto de cooperação internacional. No entanto, após pressão de setores da extrema-direita americana liderados pelo senador Marco Rubio e contatos de Eduardo Bolsonaro, o cenário mudou drasticamente. A libertação de Ramagem no dia 15 e a agora expulsão de Carvalho demonstram que o governo Trump decidiu transformar os EUA em um porto seguro para condenados pela justiça brasileira.
A expulsão do delegado Marcelo Ivo de Carvalho representa uma grave quebra de confiança nos protocolos de cooperação policial entre os dois países. Ao repostar o ataque da Casa Branca, a embaixada dos EUA no Brasil chancelou a narrativa de que a aplicação da lei contra criminosos de colarinho branco e golpistas seria um ato de perseguição política. Enquanto Brasília observa com preocupação o uso de instituições diplomáticas para blindar foragidos, o caso reforça a necessidade de firmeza na defesa da soberania jurídica do Brasil, que segue buscando formas de garantir que condenados pela trama golpista não escapem da responsabilidade criminal sob a proteção ideológica de Washington.
Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso. https://t.co/kNMWSchGcL
— Embaixada EUA Brasil (@EmbaixadaEUA) April 20, 2026