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20/6/2018 08:46

Procuradores da Lava Jato tentam inventar reformas falsas também no sítio de Atibaia para incriminar Lula

Procuradores da Lava Jato tentam inventar reformas falsas também no sítio de Atibaia para incriminar Lula
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5387 visitas - Fonte: Jornal GGN

A Lava Jato em Curitiba parece estar reproduzindo no processo do sítio de sítio de Atibaia a mesma estratégia que empregou para condenar Lula no caso triplex. Os procuradores tentam provar que reformas foram feitas pela OAS e Odebrecht em um imóvel que não está no nome de Lula. Não há clareza quanto ao ato de ofício, ou seja, algo que o ex-presidente tenha feito pessoalmente para beneficiar as empresas em troca do "presente". Tampouco há prova cabal de que os recursos usados nas obras tenham qualquer conexão com contratos da Petrobras.







O juiz Sergio Moro continua com o mesmo comportamento: indeferindo questões dos advogados por considerá-las "impertinentes", embora sejam importantes para o exercício da defesa de Lula. Ao mesmo passo em que blinda testemunhas de acusação, faz pouco caso de quem fala a convite da defesa. Vide o episódio envolvendo o jornalista Fernando Morais.



Em seu canal no Youtube, o Nocaute, Morais contou detalhes do dia em que depôs a Moro e foi acusado pelo juiz de fazer "propaganda" de Lula em vez de jornalismo sério. Morais repudiou o ato do magistrado, mas não demonstrou surpresa com a postura de Moro, que além de ríspido, demonstrava pouco interesse em ouvir a testemunha - ele pediu para Morais encurtar as respostas, impediu que ele relatasse elogios internacionais a Lula e, segundo o jornalista, por vezes, mexia no celular enquanto a audiência rolava, evidenciando o descaso.







Quem também reproduz no caso do sítio o mesmo modus operandi desequilibrado empregado no julgamento do triplex da OAS é a grande mídia, com grande espaço para as teses que ajudam a acusação e quase nada para a defesa.



Quando há vídeos de testemunhas que tenham dito algo que não favorece a República de Curitiba, o Estadão faz a divulgação com títulos genéricos e economiza ao máximo no texto.



Se há algum elemento, por menor que seja, que possa ser usado contra Lula, o destaque é maior.



É o caso da reportagem desta terça (19), sobre o depoimento de Misael de Jesus Oliveira, encarregado da OAS Empreendimentos de acompanhar as obras no sítio de perto. O título dá a entender que Lula usava terceiros para cobrar velocidade nas obras. A maior parte da matéria foca nas perguntas feitas pela Procuradoria.



A defesa de Lula ganha os parágrafos finais da reportagem. Neles, indicam que fatos que tornam o caso do sítio tão questionável quanto o triplex.



A testemunha da OAS diz que pagou por materiais usados na reforma com dinheiro vivo e prestava contas à empresa. Não sabe dizer se e de que forma a OAS foi "ressarcida" por Lula. Não aponta conexão entre a obra e os contratos na Petrobras citados na peça de acusação. Tampouco diz o que o petista fez em benefício das empreiteiras.



Tudo isso aconteceu no caso triplex e Lula acabou condenado por Moro, mas não sem que dezenas de juristas tivessem analisado o teor contestável da sentença, principalmente no que diz respeito à falta de elo com Petrobras, ao uso exarcebado de delações e depoimentos direcionados pelos procuradores e à falta de elemento para fundamentar a pena por corrupção passiva.



É a Lava Jato de Curitiba tentando repetir o mesmo esquema tático na busca por um segundo gol contra Lula.

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