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1/11/2018 11:28

Em guerra comercial com os EUA, China diz que se Bolsonaro ficar ao lado de Trump, Brasil vai sofrer

Em guerra comercial com os EUA, China diz que se Bolsonaro ficar ao lado de Trump, Brasil vai sofrer
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4840 visitas - Fonte: Uol

O governo chinês fez um duro alerta ao presidente eleito Jair Bolsonaro em editorial publicado no principal jornal estatal do país, o China Daily. No texto, os asiáticos alertam que, “se a opção do Brasil em 2019 for por seguir a linha de Donald Trump e romper acordos com Pequim, quem sofrerá será a economia brasileira”.







Segundo a publicação, as exportações brasileiras “não apenas ajudaram a alimentar o rápido crescimento da China. Mas também apoiaram o forte crescimento do Brasil”. Para os chineses, portanto, criticar Pequim pode servir para algum objetivo político específico. “Mas o custo econômico pode ser duro para a economia brasileira, que acaba de sair de sua pior recessão da história.”







Além de criticar o país asiático durante sua campanha, Bolsonaro visitou Taiwan, estado chinês que luta por autonomia, em fevereiro. A atitude deixou Pequim irritada e a embaixada, ciente que o então candidato do PSL era um forte concorrente á Presidência, enviou uma carta de protesto. Nela, expressava sua “profunda preocupação e indignação” e alertava que a visita era uma “afronta a soberania e integridade territorial da China” e “causa eventuais turbulências na Parceria Estratégica Global China-Brasil, na qual o intercâmbio partidário exerce um papel imprescindível”.



Para os chineses, “ainda que Bolsonaro tenha imitado o presidente dos EUA ao ser vocal e ultrajante para captar a imaginação dos eleitores, não existe razão para que ele copie as políticas de Trump”, alertaram. O jornal admite que existem especulações sobre o futuro das relações entre os dois países.





Agora, segundo o editorial, empresários chineses operando no Brasil e autoridades em Pequim vão se colocar a pergunta: até que ponto o próximo líder da maior economia da América Latina vai afetar a relação Brasil-China?



“Essa é uma pergunta pertinente. Afinal, Bolsonaro é apresentado por alguns como um “Trump Tropical”, uma pessoa de direita que não apenas endossa a agenda nacionalista de Trump, mas pode copiar uma página de seu guia”, diz o texto. “Ele prometeu dar preferências a acordos bilaterais e mudar a embaixada do Brasil em Israel para Jerusalém”, relembra o documento.



O editorial também acusa o presidente eleito de ter se mostrado menos do que amistoso em relação ao país asiático durante a campanha. “Ele apresentou a China como um predador buscando dominar setores-chave da economia brasileira”, destacou. “Não é uma surpresa, portanto, que as pessoas estejam se questionando se Bolsonaro irá, como o presidente americano fez, dar um golpe substancial à relação mutuamente benéfica Brasil-China”, insistiu.



Os chineses deixaram ainda claro que não acreditam que promessas feitas em campanhas eleitorais fiquem apenas pelo caminho antes do voto. “Ou que o Bolsonaro presidente coma naturalmente as palavras extremas do Bolsonaro candidato”, alertam.





“Ainda assim, esperamos que quando ele assumir a liderança da oitava maior economia do mundo, Bolsonaro olhe de forma racional e objetiva para o estado das relações Brasil-China”, disse. “Ele se daria conta que a China é seu maior mercado exportador e primeira fonte de superávit comercial”, escreveu o jornal. “Mais importante: as duas economias são complementares e dificilmente competidores.”



Relação comercial



Dados do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, no acumulado de janeiro a setembro de 2018, o saldo da balança comercial entre os dois países ficou em US$ 20,4 bilhões positivos para o Brasil.



As exportações para a China somaram US$ 47,2 bilhões e as importações, US$ 26,78. Apenas os embarques de soja brasileira rumo ao país asiático totalizam US$ 22 bilhões (47% do valor recebido).





A China é a maior parceira comercial do Brasil em 2018. O país asiático é destino de 26,3% dos nossos embarques e representa 19,8% das nossas compras no mercado externo.

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