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26/10/2020 11:45

Petrobrás pede para esconder acordos com EUA, solicitados pela defesa de Lula, como se fosse uma embaixada estrangeira

Petrobrás pede para esconder acordos com EUA, solicitados pela defesa de Lula, como se fosse uma embaixada estrangeira
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2002 visitas - Fonte: Brasil 247

O jornal Valor Econômico revela, nesta segunda-feira, que a Petrobrás luta para esconder seus acordos firmados com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. “A Petrobras adotou uma estratégia jurídica inédita para tentar se livrar de compartilhar a íntegra dos acordos celebrados com as autoridades de Justiça dos Estados Unidos (EUA). Pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a Corte lhe dê tratamento semelhante ao conferido às embaixadas estrangeiras localizadas no Brasil, imunes a decisões proferidas pelo poder Judiciário”, aponta reportagem do Valor.







Caso a empresa brasileira ganhe esse status de embaixada, ela não precisará compartilhar documentos solicitados pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o que obrigou a empresa a pagar mais de US$ 3 bilhões a investidores dos Estados Unidos. Com a operação Lava Jato, que teve como pano de fundo o ataque “à corrupção na Petrobrás”, todo o modelo de exploração de petróleo no Brasil foi alterado, destruindo a cadeia de produção dos setores de óleo e gás no País e abrindo espaço para a entrega de poços do pré-sal e de refinarias brasileiras a empresas internacionais, o que talvez explique o sigilo.



A direção da Petrobrás, comandada por bolsonaristas, deixou patente que o único objetivo do pedido ao STF é não compartilhar os documentos com a defesa de Lula: a petição foi protocolada nos autos de um dos processos em que os advogados do ex-presidente requerem acesso aos documentos, os quais consideram essenciais para o exercício pleno do direito de defesa - tanto no caso do tríplex do Guarujá (SP), pelo qual o petista foi condenado, quanto no da ação que envolve a Odebrecht.







Para tentar arrancar da Corte o segredo inconstitucional, a direção da Petrobrás citou como precedente um habeas corpus de relatoria do ex-ministro Celso de Mello, julgado pela Segunda Turma dez anos atrás. Na ocasião, decidiu-se que o STF não tinha poder para impor, às delegações diplomáticas estrangeiras sediadas no país o cumprimento de determinações judiciais, pois elas não estariam sujeitas à jurisdição do Estado brasileiro, informa a jornalista Luísa Martins. No entanto, a Petrobrás é uma empresa brasileira.



O fato de ser a Petrobrás uma empresa brasileira, por si mesmo óbvio, está no centro da argumentação da defesa de Lula. Para os advogados, a Petrobrás viola o princípio da boa-fé processual ao tentar equiparar a sua situação jurídica a de uma embaixada estrangeira, em uma analogia que “carece de seriedade”.



“A Petrobras é empresa brasileira e não uma embaixada, e, além disso, a petrolífera figura nas ações penais como assistente de acusação contra o reclamante [Lula] - de modo que deve arcar com o ônus inerente à posição por ela assumida voluntariamente”, argumentaram os advogados de Lula.







O relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, irá decidir se a Petrobrás tem caráter de embaixada estrangeira ou de uma empresa brasileira. A discussão beira o nonsense mas é este o argumento da direção bolsonarista da empresa para negar-se a entregar documentos de seus acordos firmados com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos e que são solicitados pela defesa do ex-presidente Lula.



A tendência é que Fachin leve a discussão para análise da Segunda Turma, composta também pelos ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. A partir de 5 de novembro, o desembargador Kassio Marques, aprovado como novo ministro do Supremo, também assume uma cadeira no colegiado.



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