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18/11/2020 12:29

PGR determina que Lava Jato de Curitiba forneça cópia dos bancos de dados sigilosos de operação

PGR determina que Lava Jato de Curitiba forneça cópia dos bancos de dados sigilosos de operação
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1744 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA - Após a crise deflagrada entre o procurador-geral da República Augusto Aras e as forças-tarefas da Lava-Jato, a corregedora-geral do Ministério Público Federal Elizeta de Paiva Ramos determinou que a Lava-Jato de Curitiba forneça à Corregedoria cópia de todos seus bancos de dados sigilosos, para apurar se existem supostas irregularidades no material. A determinação de Elizeta, que é aliada de Aras, foi proferida pouco depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin revogou o acesso de Aras aos bancos de dados. A operação foi feita sob absoluto sigilo e o processo de cópia está em curso atualmente.







Procurada, Elizeta afirmou que a decisão de Fachin não interfere nas atribuições da Corregedoria para inspecionar o acervo da Lava-Jato de Curitiba, por isso não há irregularidade em sua determinação. Segundo a corregedora-geral do MPF, a base de dados ficará acessível apenas à Corregedoria e guardada "sob sigilo absoluto" por meio da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (Sppea) da PGR.



Segundo fontes que acompanham o assunto, a força-tarefa de Curitiba não apresentou objeção e autorizou o acesso ao material. Procurado, o atual coordenador da força-tarefa, Alessandro Oliveira, não quis se manifestar. A PGR também afirmou que não iria comentar sobre atos da Corregedoria.







Após Fachin ter revogado a autorização, a equipe de Aras buscou uma solução interna para obter o compartilhamento das bases de dados, sem precisar enfrentar uma disputa judicial no STF. A Corregedoria tem as atribuições para investigar irregularidades envolvendo procuradores e, por isso, sua ordem não poderia ser descumprida. Aras foi informado sobre o procedimento de cópias, mas em tese não tem autorização para acessar o material.



Dessa vez, apenas a força-tarefa de Curitiba foi alvo da ofensiva da PGR. Não houve determinação para acesso às bases de dados das forças-tarefas do Rio e de São Paulo.







A ordem da corregedora-geral foi proferida no procedimento aberto para apurar irregularidades na inspeção informal feita pela subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo na Lava-Jato de Curitiba. Em junho, Lindôra, que é coordenadora do grupo da Lava-Jato na PGR, esteve na sede da força-tarefa e pediu acesso a todos os dados sigilosos, mas os procuradores argumentaram que só poderiam fornecer o material mediante autorização judicial. O GLOBO revelou na ocasião que a força-tarefa enviou um ofício à Corregedoria acusando Lindôra de realizar uma manobra ilegal para acessar os dados sigilosos da Lava-Jato.



Após o ofício, a Corregedoria-Geral do MPF abriu um procedimento para investigar tanto se houve irregularidades por parte de Lindôra como por parte da força-tarefa de Curitiba. Elizeta, que foi escolhida por Aras para ocupar o cargo de corregedora, também mantém boa relação com Lindôra. Ambas são subprocuradoras-gerais da República, o último grau da carreira do MPF.







A visita de Lindôra abriu uma crise entre a PGR e as forças-tarefas da Lava-Jato. Depois disso, a PGR entrou com uma ação no STF durante o recesso pedindo que as forças-tarefas fossem obrigadas a fornecer cópia de todos os bancos de dados, sob argumento de que havia suspeitas de que foram investigados irregularmente políticos com foro privilegiado. O então presidente do Supremo, Dias Toffoli, na condição de plantonista, proferiu uma liminar (decisão provisória) autorizando o acesso. Uma equipe da Sppea foi a Curitiba iniciar a cópia dos dados, mas o ministro Edson Fachin revogou a decisão no primeiro dia após o fim do recesso, e o trabalho foi interrompido. A equipe da PGR permaneceu cerca de um mês na capital paranaense e conseguiu copiar parte do material, mas a decisão de Fachin impediu a utilização dos dados.



Em meio a essa crise, Aras participou de uma live com advogados e fez duras críticas à Lava-Jato de Curitiba, afirmando que o grupo possuía "caixas de segredos" e defendendo "corrigir rumos" da operação.







Em seus ofícios à época da crise, apesar de afirmar que a equipe de Aras só poderia acessar seus bancos de dados sigilosos com autorização judicial e justificativa legal, a própria força-tarefa reconhecia que a Corregedoria tinha atribuição para ter acesso a todo o material. "As informações constantes das bases de dados da FT, portanto, estão permanentemente sujeitas e acessíveis à supervisão da Corregedoria-Geral do MPF, independentemente de sua origem ou destino", afirmou a força-tarefa em esclarecimentos enviados ao STF. Por isso, eles acabaram acolhendo a determinação da corregedora.



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