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6/4/2021 19:21

Com iniciativa de Lira, Câmara aprova regime de urgência para tramitação de projeto legalizando fura de fila de vacinas por empresários

Com iniciativa de Lira, Câmara aprova regime de urgência para tramitação de projeto legalizando fura de fila de vacinas por empresários
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1310 visitas - Fonte: Revista Fórum

Sob a iniciativa do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), a casa legislativa aprovou nesta terça-feira (6) um requerimento de urgência do projeto de lei (PL 948/2021) que visa dar a empresários o direito de comprar vacinas contra a Covid-19 para vacinar seus funcionários, o que na prática criaria um esquema privado de imunização. A medida foi criticada pela oposição, que classificiou a medida como um “apartheid sanitário”.







A urgência foi aprovada por 316 votos a favor e 116 contra. Apenas PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB e Rede foram contrários à urgência. A oposição tenta adiar a apreciação da matéria, que deve entrar em pauta já nesta terça.



O Congresso Nacional já havia aprovado uma lei que permite à iniciativa privada comprar imunizantes, desde que as doses fossem integralmente doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).



Eu não quero discutir as intenções dos colegas que apresentaram o texto, acredito que sejam as melhores, mas o projeto tem problemas graves. O projeto é equivocado, o que falta não é dinheiro do governo para comprar vacina, o que falta é quem forneça as vacinas. Abrir para o mercado privado vai causar vários prejuízos. Primeiro, abrindo para o mercado, a vacina deve subir. Quem pagar mais, terá prioridade de entrega”, apontou o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), durante a votação.







“Os Estados Unidos, a Europa inteira, o Japão, o mundo todo não permitiram a compra de vacinas por empresas privadas. Por que será? Porque isso vai causar um apartheid sanitário no Brasil! Os mais pobres vão ficar para trás!”, completou.



O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, destacou que o projeto “vai tirar oportunidades de vacinas para o Sistema Único de Saúde, vai tirar oportunidades de o Governo Federal e os Governos Estaduais e Municipais poderem adquirir vacinas para o SUS e vai reservar essas vacinas para quem tem dinheiro para comprá-las e para ter acesso a elas”.



“Isso pode criar a situação absurda de atrasar ainda mais o Programa Nacional de Vacinação do nosso País. Se for aprovado, o projeto vai colocar o Brasil numa lista vergonhosa de permitir, no meio da maior pandemia da nossa história, deste século, que o poder do dinheiro possa fazer as pessoas furarem a fila e, mais, bagunçar, desorganizar toda a estratégia de vacinação”, disse ainda Padilha.







Em entrevista concedida à Fórum na última semana, Padilha considerou a proposta um “escândalo” e a classificou como um “camarote privado para furar fila”.



O deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara, usou as redes sociais para criticar a proposta. “A aprovação deste projeto de vacinação privada vai ser mais uma vez a derrota da solidariedade, do bem comum. E mais uma vez será a falsa vitória da política do mérito, onde vence, em tese, aqueles que tem “maiores qualidades“ em detrimento dos outros”, tuitou. Ele foi o único parlamentar do DEM a votar contra a urgência.



Sob pressão, a a relatora, deputada Celina Leão (PP-DF), incluiu no texto a obrigatoriedade de doação de doses para o Sistema Único de Saúde (SUS) e retirou o abatimento dos gastos do imposto de renda pelas empresas.











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