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20/4/2021 14:50

Caso da contaminação de Stênio Garcia, já vacinado, foi usado fora de contexto em campanha bolsonarista contra vacina

Caso da contaminação de Stênio  Garcia, já vacinado, foi usado fora de contexto em campanha bolsonarista contra vacina
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1453 visitas - Fonte: O Estadão

Postagens nas redes sociais usam o caso do ator Stênio Garcia, infectado pelo novo coronavírus mesmo após ser imunizado, para desencorajar a vacinação no País e atacar a eficácia da Coronavac, que foi comprovada em estudos científicos. As postagens analisadas pelo Estadão Verifica compartilham manchetes de notícias sobre Garcia juntamente com mensagens como “(vacinas) funcionam mesmo?” e “estão enganando o povo?” Esses posts ignoram o fato do ator ter sido contaminado poucos dias após tomar a segunda dose, antes do tempo necessário estimado para o corpo desenvolver a proteção imunológica.







Em 9 de abril, a mulher de Stênio, Marilene Saade, disse em seu Instagram que o marido havia testado positivo para o novo coronavírus. Mesmo que ele não tenha apresentado sintomas graves — apenas passou a espirrar com maior frequência — Saade disse que o casal se preocupou, uma vez que ele já havia tomado as duas doses da Coronavac em 9 de fevereiro e 9 de março.



Ela fez várias postagens no Instagram nas quais relatava exames feitos por Stênio Garcia e o progresso do seu quadro clínico, que se manteve sem sintomas. Em 15 de abril, Marilene explicou que o ator provavelmente se contaminou em 13 de março, apenas quatro dias após tomar a segunda dose da vacina, quando foi visitado por uma pessoa que estava contaminada de forma assintomática e não sabia.



“Como pode ter tomado as duas doses e não ter anticorpos? É a pergunta que está nos deixando muito preocupados”, havia escrito Saade na rede social. Dias depois ela recuou, e disse que novos exames mostraram que o ator havia gerado anticorpos. Como disse o médico de Stênio, foram esses anticorpos que evitaram que seu quadro se agravasse.







“A vacina protege (contra) casos graves e moderados. Stênio não teve nem sintomas leves, já que espirros são mais questões alérgicas. Enfim, todos têm que se cuidar até que todo o mundo esteja imunizado”, recomendou Saade em 14 de abril.



Os especialistas alertam que é preciso receber as duas doses da vacina para que se tenha a proteção encontrada nos estudos clínicos. Além disso, deve-se aguardar um período de cerca de 20 dias após tomar o reforço do imunizante para que haja tempo do corpo ter a resposta imunológica. Por isso, é esperado que Stênio pudesse se contaminar, tendo em vista que isso teria ocorrido, segundo a esposa, apenas quatro dias após a segunda dose.



“Nós somos a favor da vacina sim, porque quando 80% das pessoas tiverem tomado as duas doses, a circulação do vírus com certeza será contida”, disse Saade.







Estudos científicos provaram eficácia da Coronavac



A Coronavac é a vacina desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac. No Brasil, a farmacêutica tem parceria com o Instituto Butantan, que conduziu estudos clínicos de fase 3 no País com mais de 12 mil voluntários, todos profissionais da saúde. Sua eficácia geral ficou em 50,38%, o que quer dizer que as pessoas imunizadas têm 50% a menos de chance de desenvolver a doença do que uma pessoa não vacinada. O Instituto Butantan diz ainda que essa eficácia é de 78% para casos leves que precisam de alguma intervenção médica.



Apenas sete pessoas do estudo desenvolveram casos graves da doença e nenhuma delas havia tomado a vacina. No entanto, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse que esse número é muito baixo estatisticamente para se poder tirar conclusões sobre a eficácia do imunizante contra casos graves. “É um dado ainda pequeno, não tem significância estatística, embora demonstre uma tendência e esperamos que se confirme”, afirmou Ricardo Palacios, diretor médico de pesquisa clínica do Butantan.







Em seu site, o Butantan explica que “algumas pessoas ainda podem ter a doença ou a infecção mesmo tendo sido vacinadas, mas poderão ter uma forma menos grave da doença”. Isso não quer dizer que a vacina seja ineficaz. Na atual situação da pandemia, os governos precisam de um imunizante que impeça mortes e evite que as pessoas tenham quadros graves, pois os sistemas de saúde do mundo todo não têm capacidade de acolher a quantidade de pacientes que o coronavírus é capaz de infectar em tão pouco tempo. E quanto a isso, as vacinas atualmente disponíveis se mostraram eficazes.



Durante a coletiva de imprensa para divulgação dos dados de eficácia da Coronavac, especialistas alertaram que como a vacina reduz 50% a chance de infecção, se faz necessário imunizar um número maior de pessoas para que se consiga frear a pandemia. Até esta segunda-feira, 19, a Coronavac representava 76,2% de todas as mais de 53 milhões de doses enviadas pelo Ministério da Saúde a Estados e municípios. Você pode conferir um guia com as principais dúvidas e respostas sobre a Coronavac no site do Butantan.



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