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10/5/2021 11:44

CPI vai devassar atuação do gabinete do ódio, com Fabio Wajngarten na mira dos oposicionistas do governo

CPI vai  devassar atuação do gabinete do ódio, com Fabio Wajngarten na mira dos oposicionistas do governo
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681 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA - O bloco que une senadores oposicionistas e independentes na CPI da Covid vai avançar sobre dois pontos ainda inexplorados na comissão: o papel do “gabinete do ódio”, estrutura de apoio ao Palácio do Planalto nas redes sociais, na difusão de notícias falsas sobre a pandemia; e o impacto da falta de uma campanha clara de conscientização sobre os riscos do coronavírus no agravamento da doença no Brasil — até a noite de ontem, eram 422.418 mortes e mais de 15 milhões de casos. O depoimento de Fabio Wajngarten, ex-titular da Secretaria de Comunicação Social (Secom) de Jair Bolsonaro, na quarta-feira, é considerado central pelos parlamentares para investigar ambas as frentes.







A demora do governo em assinar o contrato para a compra de vacinas da Pfizer também será um assunto, já que Wajngarten atribuiu a falha ao Ministério da Saúde, então comandado por Eduardo Pazuello — aliados vem tentando demover o ex-chefe da Secom de expor em excesso o antigo colega de governo. O plano dos senadores é aprofundar o tema quando o próprio ex-ministro comparecer, na semana que vem.



Integrantes do grupo majoritário afirmam que dados e eventuais contradições do depoimento de Wajngarten podem abrir caminho para que a CPI alcance o “gabinete do ódio”, cujos principais integrantes seriam os assessores Tércio Arnaud Thomaz, José Matheus Sales Gomes e Mateus Matos Diniz.



Segundo um senador ouvido pelo GLOBO, a comissão quer saber as empresas de publicidade pagas pelo governo e a destinação desses recursos. Os parlamentares suspeitam que os repasses contribuíram para a propagação de notícias falsas, atrasando o país no combate à pandemia, e que os servidores que compõem o grupo estariam por trás da difusão de mensagens.







Com o mesmo objetivo, já foi solicitado o compartilhamento de dados da CPI das Fake News e do inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o tema.



A comunicação do governo também já é alvo de uma auditoria no Tribunal de Contas da União (TCU). Senadores vão apurar por que a gestão Bolsonaro não criou campanhas para ensinar a população a se proteger do vírus.



Wajngarten será questionado ainda sobre a divulgação da propaganda “O Brasil Não Pode Parar”, no início da pandemia, ao mesmo tempo em que governadores e prefeitos restringiam a circulação para tentar brecar a proliferação do vírus. A iniciativa da Secom, depois tirada do ar, dizia que a “quase totalidade de óbitos” pelo coronavírus se deu com idosos e que, portanto, só este grupo deveria ficar isolado.







Durante o depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga — que deverá ser chamado novamente a prestar esclarecimentos —, o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que o governo “não tem um plano formal e claro de comunicação”. O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), também indagou Queiroga sobre possíveis interferências na comunicação. Ele queria saber se há debate sobre divulgar ou não recomendações para o uso de máscara nas campanhas. A senadora Soraya Thronicke (PSL-MS) quis saber quem comanda a comunicação, se a Secom ou a Saúde, e Queiroga disse que a pasta tem assessoria própria.



No dia anterior, Humberto Costa (PT-PE) perguntou ao ex-ministro Nelson Teich se ele chegou a formular alguma política de comunicação e citou que a Saúde tem uma das maiores verbas para o setor. Teich respondeu que apenas uma pessoa o procurou para tratar do tema, mas que não se lembrava quem era.



— O Teich e (o ex-ministro Luiz Henrique) Mandetta falaram claramente que tinham planos de fazer campanhas de esclarecimento à opinião pública e Wanjgarten desmotivou que isso acontecesse — disse Costa ao GLOBO.







Dúvidas sobre a Pfizer



Durante o depoimento, Mandetta disse que foi iniciada uma campanha dentro do Ministério da Saúde, mas que Wangarten o procurou dizendo que já havia outra ideia em andamento e que a proposta original, que passaria uma mensagem contra a aglomeração e estimularia a redução de circulação, foi descartada.



Com depoimentos de representantes da Pfizer marcados para esta semana, as negociações em torno da compra do imunizante da empresa também serão citadas nas indagações a Wajngarten. Para Costa, uma das dúvidas é por que, inicialmente, as tratativas foram lideradas pelo ex-secretário, e não pela Saúde. O antigo responsável pela Secom deve afirmar aos senadores que também atuou para a compra de outras vacinas, como a Sputnik e a Covaxin.



Outro ponto é o fato de o novo contrato em discussão com a Pfizer prever um custo de 20% a mais por dose de vacina em relação ao fechado anteriormente. Para os senadores, é preciso saber se a recusa para a compra de doses da empresa no ano passado, além de ter atrasado a vacinação, também fez com que agora o país pague mais caro.



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