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11/6/2021 18:04

Bolsonaro mentiu quando disse que STF impediu ações do governo federal na pandemia. Só pretendia terceirizar sua responsabilidade

Bolsonaro mentiu quando disse que STF impediu ações do governo federal na pandemia. Só pretendia terceirizar sua responsabilidade
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702 visitas - Fonte: UOL

Após atuar como um Jim Jones pandêmico, nesta quinta (10), declarando que "um tal de Queiroga" estava preparando um "parecer visando a desobrigar" o uso de máscara por pessoas que já haviam pegado covid ou tomado a vacina, Jair Bolsonaro afirmou, um dia depois, que "quem decide na ponta da linha é governador e prefeito".







Bolsonaro é tosco, mas não politicamente burro. Ele sabe que os decretos estaduais e municipais tornariam sem efeito qualquer parecer, recomendação ou decreto federal que queira tornar desnecessário o uso de máscaras. Mesmo assim, agiu como se a decisão só dependesse dele.



Em abril do ano passado, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a competência concorrente de estados, Distrito Federal, municípios e União no combate à covid-19. Traduzindo: todos podem e devem participar da elaboração de execução da política contra a pandemia.



Desde então, Bolsonaro, que desejava do STF a autorização para impedir quarentenas e lockdowns, vem espalhando a mentira de que a corte decidiu que o combate ao coronavírus cabe apenas a governadores e prefeitos. E a ele teria restado apenas o repasse de recursos para as ações.







Com isso, ele vem terceirizando a responsabilidade por mortos e desempregados. E, buscando a estratégia de imunidade de rebanho, negou-se a comprar vacinas no ano passado, defende remédios sem eficácia, promove aglomerações e tem atacado, como ontem, o uso da máscara.



Falando para os seus fãs em frente ao Palácio do Alvorada, o presidente reforçou esse entendimento nesta sexta: "Eu não apito nada, né? Segundo o Supremo, quem manda são eles. Mas nada como você estar em paz com a sua consciência".



Não tenham dúvidas que ele usará reações tanto à sua declaração quanto à tentativa de desobrigar o uso de máscaras para reforçar a mentira de que o STF o alijou do processo decisório sobre a pandemia. De olhos na montanha de mortos, que deve alcançar meio milhão nos próximo dias, ele precisa reforçar justificativas para tirar o corpo fora.







Além dessa dimensão, a declaração estapafúrdia e criminosa desta quinta teve múltipla serventia.



Ajudou a sabotar os esforços de quem combate a pandemia, empoderou o naco negacionista de seus seguidores, colocou a população em risco ao atacar uma das únicas formas de se proteger, uma vez que metade do país já estaria completamente vacinada, neste momento, se ele tivesse aceitado a oferta da Pfizer e do Instituto Butantan para o fornecimento de doses ainda no ano passado.



Mas também serviu para cutucar o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que reconheceu que a cloroquina não tem eficácia contra a covid-19 em sua segunda visita à CPI da Covid.



E para jogar uma cortina de fumaça sobre o avanço das investigações da comissão sobre as relações incestuosas entre o presidente e os empresários que produzem cloroquina. A fase de "seguir o dinheiro" da CPI pode ser bastante comprometedora para Bolsonaro.







Pipocam pelo Brasil casos de pessoas que se negam a usar máscara em ambientes públicos e privados. Algumas até fazem ameaças com armas de fogo, que se tornaram facilmente acessíveis durante o mandato de Bolsonaro. A necropolítica escorre pela sociedade, chegando à sua base eleitoral, que, fortalecida pelo presidente, mostra que o capricho pessoal vale mais que a saúde coletiva.



Não há, entre todas as consequências possíveis das declarações da quinta, nenhuma que proteja a vida e a economia. Em nome de seus ganhos políticos, Bolsonaro aceita de bom grado o país se tornar um cemitério.



Assista ao vídeo abaixo:





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