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6/7/2021 15:36

Novo canal de TV será lançado às pressas pelo governo federal, com projeto do coronel Romy Pinto

Novo canal de TV será lançado às pressas pelo governo federal, com projeto do coronel Romy Pinto
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1310 visitas - Fonte: UOL

O governo federal vai lançar nas próximas semanas mais um canal de TV. A estimativa inicial é que ele possa custar entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões anuais. A verba sairá do MEC (Ministério da Educação).



Por meio de sua assessoria, o Ministério da Educação confirmou ontem à coluna o plano de lançamento do novo canal.



O MEC, no entanto, nega que será gasto o montante previsto acima, mas não informou valores (veja íntegra da nota ao final deste texto).







Um canal às pressas



O projeto está sendo feito a toque de caixa pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), hoje responsável pela TV Brasil 1 e 2 (antiga NBR), além de rádios e sites como a Agência Brasil.



Quem está cuidando do projeto desse novo canal é mais um militar: coronel Romy Pinto, diretor-geral da EBC, mas que na prática se tornou o manda-chuva da estatal —apesar de o presidente da EBC ser Glen Valente.



Curiosamente, o coronel Pinto está lá desde as gestões petistas.



A coluna passou a semana passada tentando entrar em contato com a assessoria da EBC e a TV Brasil. Apesar dos e-mails enviados e do contato feito, a EBC não se manifestou até a publicação deste texto.







TV Brasil deixará de ser HD



O novo canal será uma subdivisão do sinal da TV Brasil. Desde a implantação do sistema digital e do HD, os canais de TV (abertos) podem —em tese— serem subdivididos em até 4 diferentes canais.



A vantagem é ter mais "plataformas" de exibição, a chamada "multiprogramação". A desvantagem é a perda da qualidade HD.



O novo canal é mais um passo no "projeto" governamental do chamado "homeschooling", ou educação em casa (pronuncia-se "roume´sculin").



Alguns canais, como a TV Cultura, já fizeram testes com a subdivisão do sinal. TVs comerciais também têm feito isso em algumas regiões do país.



Embora ainda não esteja devidamente regulamentada em lei, a prática não é considerada ilegal (assim como a venda de horários de programação para igrejas, por emissoras comerciais).







"TV Olavo"



O novo canal do governo (ainda não tem um nome definido), mas a ideia é que seja dedicado à educação e principalmente às "teleaulas".



Nos bastidores, porém, a nova emissora vem sendo chamada jocosamente de "TV Olavo".



Isso porque é certo que boa parte de sua programação seja dedicada a conteúdo 100% pró-governo, "conservador" e "cristão" —fornecido possivelmente, em boa parte, por seguidores do "guru" do bolsonarismo, Olavo de Carvalho.







Calote na TV Escola



Enquanto investe dezenas de milhões de reais em um novo canal "educativo", o governo federal ainda mantém o calote milionário na TV Escola, cujo contrato foi rescindido unilateralmente pelo ex-ministro Abraham Weintraub, em 2019 —e cuja programação é uma das melhores do país (senão a melhor).



Desinformado, Weintraub chegou a expulsar das dependências do MEC funcionários da Acerp (Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto), responsáveis pela TV Escola.



Seu objetivo era aparelhar a emissora com funcionários e programação "olavista" (provavelmente o que será feito agora).



Só não deu certo porque o desinformado Weintraub achava que o nome e a concessão pertenciam ao governo. Ele se "surpreendeu" ao saber que na verdade ambos pertenciam à Acerp.







E a mamata, Jair?



É mais uma quebra de palavra e descumprimento de promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro.



Em 2018 ele prometeu acabar com a "mamata" e com a TV Brasil —apontada como um cabide empregos petista.



Hoje virou um "cabide" de militares, filhos de militares e outros apaniguados bolsonaristas.



A TV Brasil custa R$ 550 milhões anuais, dos quais quase R$ 400 são só em salários.



Desde sua criação, em 2007, no governo Lula, ela dá o chamado traço de ibope.



Nota-se, portanto, que a mamata não só não acabou como está cada vez mais parruda.







Outros lados



A EBC não respondeu às perguntas desta coluna sobre o novo canal. Foram enviados dois e-mails cobrando e a coluna ainda entrou em contato com funcionários da EBC, alertando sobre o envio.



Fala o MEC

Por meio de sua assessoria, o MEC enviou a seguinte nota à coluna:



"O Ministério da Educação informa que está em fase final de negociação com a EBC um contrato de um novo canal de TV público. Neste novo contrato serão atendidos projetos educativos, além de diversos outros serviços.



A pasta ressalta que essa é uma iniciativa desta administração e que o objetivo é economizar, racionalizar e melhorar os processos de gestão.



O valor que está sendo negociado é muito abaixo do informado (notada coluna: estimado) pelo UOL. Atenciosamente, Ascom/MEC."



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