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24/12/2016 12:47

Enquanto servidores do RJ estão sem salário, Justiça do RJ gasta 13 milhões para “servir” desembargadores

Enquanto servidores do RJ estão sem salário, Justiça do RJ gasta 13 milhões para “servir” desembargadores
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11080 visitas - Fonte: falandoverdades

Tijolaço

Lendo a reportagem de Marcelo Auler sobre a contratação, em plena ceia da fome para os servidores públicos do Rio de Janeiro, de R$ 13,7 milhões de reais em serviços de garçons, copeiros e “insumos e materiais” para servirem aos senhores desembargadores do Tribunal de Justiça, não dá para deixar de lembrar da música do finado Michael Jackson: “They don’t care about us” – Eles não se importam com a gente.



Será que, em meio a essa crise, Suas Excelências não poderiam se contentar com uma boa garrafa térmica e um copinho descartável? O café tem de ser na baixela e a louça de porcelana?



Escreve Marcelo Auler: “neste ano, o governo do Estado gastou R$ 12,7 milhões com o pagamento de fornecedores da Secretaria Especial de Administração Penitenciária (SEAP). Ou seja, cuidando – inclusive com alimentação – da população carcerária que, em julho, antes da Copa do Mundo, totalizava 50 mil presos segundo o advogado Fabio Cascardo”.



50 mil presos custam menos que 180 desembargadores e, ao que consta, todos são seres humanos com as mesmas necessidades alimentares.



Fazendo contas básicas: R$ 13,7 milhões, divididos por 24 meses e pelos 180 desembargadores dá, acredite, R$ 3.171,29 por mês para o cafezinho e o lanchinho de Suas Excelências.



Quatro vezes mais do que ganha, líquido, um trabalhador ou trabalhadora que receba um salário mínimo para comer, morar, vestir, a si e aos filhos, e ainda tomar o ônibus e ir trabalhar.



Michael Jackson era esquisitão, teve uma polêmica metamorfose de aparência, recolheu-se a uma vida obscura em sua “Terra do Nunca”. Mas certamente sobrou algo do garoto negro e pobre que olhava o mundo e absorvia a memória dos direitos sociais que foram, duramente, alcançando contra aqueles magníficos senhores.



Tanto que nesta música, um dos versos finais é: You know I really do hate to say it/The government don’t wanna see/But if Roosevelt was livin’/He wouldn’t let this be, no, no



Livremente traduzido: Você sabe que eu odeio falar isso, o governo não quer ver: mas se Roosevelt estivesse vivo, ele não deixaria isso acontecer…



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