O plano de Flávio Bolsonaro para o SUS: a sombra da privatização e o nome de Claudio Lottenberg
A indicação do médico Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde por Flávio Bolsonaro acende alertas sobre o futuro do SUS e a possível adoção de modelos privados.

Foto: O médico e ex-diretor do Hospital Albert Einstein, Cláudio Lottenberg. Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress · Original e licença
A indicação do oftalmologista Claudio Lottenberg pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo trouxe à tona preocupações sobre o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Durante o debate da Band, a menção ao nome de Lottenberg, aliada à proposta de implementar o modelo de gestão do Hospital Israelita Albert Einstein na rede pública, levantou suspeitas de um projeto de privatização do sistema.
O receio é reforçado pela estratégia da equipe econômica que assessora o plano de governo do PL. O grupo defende a desvinculação dos recursos da saúde do orçamento federal, o que, na prática, eliminaria a obrigatoriedade de um montante mínimo de investimento público. Para críticos, a combinação entre a gestão privada e o corte de verbas constitucionais sinaliza um desmonte do caráter universal do SUS.
Lottenberg, que preside a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e foi secretário de Saúde de São Paulo em 2005, possui um histórico ambíguo em relação ao bolsonarismo. Embora tenha criticado duramente a gestão da pandemia pelo governo federal em 2021, classificando a falta de coordenação como uma falha de governança, o médico adotou um tom conciliador recentemente. Em entrevista de 9 de outubro, ele preferiu tratar o negacionismo do governo como um "capítulo superado".
Desde setembro, Lottenberg está licenciado de suas funções de governança no Hospital Albert Einstein. A instituição justificou o afastamento citando suas normas internas de neutralidade política. Apesar das críticas passadas ao governo, o médico agora se alinha ao projeto de Flávio Bolsonaro, prometendo manter princípios científicos, enquanto o debate público se volta para o risco de o SUS ser transformado em um modelo de mercado.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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