Crise energética e custo de vida inflam protestos e impulsionam extrema-direita na Europa
A disparada nos preços dos combustíveis e a inflação generalizada na Europa alimentam revoltas populares e fortalecem legendas de extrema-direita antes das eleições de 2027.

Foto: Distúrbio na França Crédito: Reuters · Original e licença
A Europa enfrenta uma onda de instabilidade social e política sem precedentes, impulsionada por uma crise energética que elevou o preço da gasolina em cerca de 140% e dobrou o valor do diesel. O cenário, agravado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, impôs um custo estimado de 100 bilhões de euros ao continente, segundo dados da Comissão Europeia, e tem servido de combustível para o crescimento de partidos de extrema-direita em países como França, Itália, Alemanha e Polônia.
Na França, o descontentamento popular com a perda do poder de compra resultou em distúrbios severos. O presidente Emmanuel Macron reconheceu a legitimidade das reivindicações, mas condenou a violência. Enquanto isso, Marine Le Pen, líder do Reunião Nacional, capitaliza a insatisfação ao defender a redução de impostos sobre combustíveis, estratégia que, segundo o cientista político Gilles Ivaldi, da Sciences Po, tem sido um motor central para o avanço da extrema-direita.
A situação é crítica na Itália, onde agricultores e caminhoneiros paralisaram estradas em protesto contra o custo proibitivo do diesel. A primeira-ministra Giorgia Meloni enfrenta agora a pressão de uma nova legenda, o Futuro Nacional, que propõe o restabelecimento de vínculos energéticos com a Rússia. Movimento semelhante ocorre na Alemanha, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera as pesquisas nacionais ao criticar a política energética do governo de Friedrich Merz e defender a retomada das relações com Moscou.
O descontentamento atravessa fronteiras e atinge também Portugal, Espanha, Bélgica e Albânia, com pautas que unem a crise habitacional, baixos salários e a precariedade dos serviços públicos. Em um cenário de desgaste econômico acumulado, a proposta de reaproximação energética com a Rússia ganha fôlego tanto na direita quanto na esquerda radical, colocando em xeque o consenso europeu de apoio à Ucrânia.
Fonte: Brasil 247

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