Política

Empresa ligada a Flávio Bolsonaro ignora realidade e nega operação de bets sob investigação da PF

Documentos e registros da Loterj desmentem sócio da Rede Loto, empresa investigada pela PF por elos com o senador Flávio Bolsonaro.

Foto: Flavio Bolsonaro - Flávio Bolsonaro/Foto: SERGIO LIMA/AFP · Original e licença

A Rede Loto, empresa que figura no centro de um inquérito da Polícia Federal por suas conexões com o senador Flávio Bolsonaro (PL), está sob novo escrutínio após declarações contraditórias de seu sócio, o advogado Willer Tomaz. Embora Tomaz tenha afirmado em 19 de outubro que a companhia "nunca lançou operação de aposta", registros oficiais e perfis em redes sociais provam o contrário.

Segundo apuração da Revista Fórum, a empresa — controlada pela offshore Cathedral Holdings, que já custeou viagens do parlamentar — lançou ao menos três casas de apostas: Loto Carioca, BestBet e Loto Legal. Apesar do investimento de R$ 5 milhões para obter a licença junto à Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), as operações foram abandonadas sem campanhas publicitárias, acumulando receitas de apenas R$ 360 mil até fevereiro de 2025.

A trajetória da Rede Loto levanta suspeitas devido à rapidez com que obteve o credenciamento na Loterj, sob a gestão de Hazenclever Cançado, aliado de Tomaz e figura ligada ao PL. Documentos enviados à autarquia e relatórios da RioPag, empresa de pagamentos também pertencente a Tomaz, confirmam que a Rede Loto recebeu depósitos e manteve atividades muito além do que a narrativa oficial do sócio tenta sustentar.

Em justificativa enviada à Loterj, a própria empresa admitiu que seu "atual contingente de colaboradores é insuficiente para assegurar a operacionalidade", uma explicação que contrasta com o vultoso aporte inicial. A Polícia Federal agora investiga o conjunto dessas movimentações, buscando entender a lógica por trás de uma operação que, na prática, funcionou de forma oculta enquanto seus responsáveis negam publicamente sua existência.

Fonte: Revista Fórum

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