Política · Economia

Banco Central estuda travar crédito para frear endividamento recorde das famílias

Autoridade monetária avalia novas regras para limitar empréstimos conforme a renda, em meio a um cenário de inadimplência que atinge milhões de brasileiros.

Foto: Sede do Banco Central em Brasília-DF – 29/10/2019 Crédito: REUTERS/Adriano Machado · Original e licença

O Banco Central (BC) trabalha na elaboração de novas diretrizes para conter o avanço do endividamento das famílias brasileiras. Segundo informações divulgadas nesta terça-feira (20) pelos jornalistas Bernardo Caram e Marcela Ayres, da agência Reuters, a autoridade monetária estuda estabelecer limites para a concessão de crédito baseados na renda dos consumidores, focando especialmente em modalidades sem garantia e cartões de crédito.

A proposta visa ampliar a responsabilidade das instituições financeiras na avaliação da capacidade de pagamento dos clientes. Entre os modelos sob análise, destaca-se a experiência de Cingapura, que impõe tetos para o crédito sem garantia conforme a faixa salarial do tomador. O objetivo é garantir que o produto oferecido seja compatível com o perfil financeiro do cidadão, evitando o comprometimento excessivo do orçamento doméstico.

O cenário que motiva a discussão é crítico: o endividamento das famílias alcançou 49,9% da renda acumulada nos 12 meses encerrados em julho. Além disso, o país registra um recorde de 83,9 milhões de inadimplentes, conforme dados da Serasa. A facilidade de acesso ao crédito via plataformas digitais, embora tenha reduzido custos, também trouxe questionamentos sobre a eficácia dos critérios de risco adotados pelos bancos.

O tema ganhou contornos eleitorais na disputa presidencial de 2026. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em programas de renegociação e perdão de dívidas, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) propõe a criação de um programa governamental de compra de débitos e congelamento temporário de cobranças. Diferente das promessas de campanha, que focam no estoque de dívidas atual, as medidas do BC buscam regular a concessão de novos financiamentos para prevenir futuros desequilíbrios.

Fonte: Brasil 247

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