Política

Investigação da PF mira elo entre Flávio Bolsonaro e empresa de apostas com licença milionária

Empresa ligada ao senador e ao advogado Willer Tomaz pagou R$ 5 milhões por licença de bets no Rio, mas operou sem publicidade e com movimentação mínima.

Foto: Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro Crédito: Reprodução / Redes sociais · Original e licença

Uma empresa ligada ao senador Flávio Bolsonaro (PL) está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura movimentações financeiras suspeitas no setor de apostas esportivas. Segundo apuração do jornalista Demétrio Vecchioli, do portal Metrópoles, a Rede Loto, controlada por uma offshore associada ao advogado Willer Tomaz, desembolsou R$ 5 milhões para obter uma licença da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) em 2023, mas manteve uma operação comercial inexpressiva e sem campanhas publicitárias.

O processo de licenciamento da Rede Loto chama a atenção pela celeridade. A empresa foi constituída poucos dias antes do edital e teve sua documentação aprovada pela Loterj no mesmo dia em que foi apresentada. Na época, a autarquia era presidida por Hazenclever Cançado, advogado com histórico de atuação junto a Willer Tomaz e vínculos com o bolsonarismo.

Apesar do alto investimento, a empresa registrou uma movimentação financeira modesta. Em dois anos e meio, os depósitos de apostadores somaram pouco mais de R$ 732 mil, valor que contrasta com o aporte milionário para a licença. A própria companhia admitiu à Loterj dificuldades operacionais e a ausência de estratégias de marketing, como tráfego pago ou uso de afiliados.

O inquérito da PF também investiga a relação entre a Cathedral Holdings — controladora da Rede Loto — e o senador Flávio Bolsonaro. Relatos apontam que a empresa teria custeado viagens do parlamentar e de seus familiares. Além disso, o advogado Willer Tomaz, figura central no caso, é investigado por movimentar cerca de R$ 10 bilhões em apostas na plataforma Blaze apenas em 2025, chegando a tentar recuperar judicialmente R$ 134 milhões perdidos em jogos.

Em nota, a defesa de Willer Tomaz negou qualquer irregularidade, afirmando que as atividades são lícitas e declaradas. Os advogados também refutaram que Flávio Bolsonaro tivesse poderes sobre contas das empresas e criticaram a divulgação de informações sigilosas às vésperas do segundo turno das eleições. A defesa do senador reforçou que a relação entre ambos é de amizade familiar e não pode ser criminalizada.

Fonte: Brasil 247

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