Política · Segurança

Contradição: Flávio Bolsonaro ataca 'saidinha' criada pelo regime militar que ele defende

Senador ignora origem histórica do benefício ao criticar governo Lula, enquanto dados mostram que crime citado ocorreu sob regras anteriores à nova lei.

Foto: - · Original e licença

Durante o debate da Band realizado no último domingo (18), o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizou um momento de desinformação ao atacar o presidente Lula pela gestão das saídas temporárias de presos. O parlamentar, defensor ferrenho da ditadura militar, omitiu que o benefício da 'saidinha' foi instituído justamente em 1984, sob o governo do general João Figueiredo, durante o regime que ele tanto exalta.

Para sustentar suas críticas, Flávio Bolsonaro citou o trágico assassinato de Renata da Silva Teles, ocorrido em dezembro de 2023. Ocorre que o crime aconteceu antes da sanção da Lei nº 14.843, de 2024, que restringiu o benefício. Na época do feminicídio, as regras vigentes ainda eram as da Lei de Execução Penal de 1984, sancionada pelos militares.

A atual legislação, sancionada pelo governo Lula, endureceu significativamente o sistema penal. A nova lei proibiu a saída temporária para condenados por crimes hediondos ou com violência. Embora o presidente tenha vetado inicialmente trechos que impediam visitas familiares, o Congresso derrubou o veto em maio de 2024, extinguindo as saídas em feriados.

Além das mudanças nas saídas temporárias, o governo federal tem avançado no combate à violência contra a mulher. Em outubro de 2024, foi sancionada a lei que tornou o feminicídio um crime autônomo, elevando a pena máxima para 40 anos. Em abril de 2025, uma nova medida passou a permitir o uso de tornozeleiras eletrônicas para fiscalizar medidas protetivas, com alertas em tempo real para as vítimas.

Fonte: Revista Fórum

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