Política · Justiça

Manobra de Cláudio Castro teria poupado R$ 450 milhões de concessionária ligada a seu operador

Investigação revela que o ex-governador do Rio atuou para beneficiar a Águas do Rio em litígio bilionário enquanto a empresa contratava seu operador financeiro.

Foto: Cláudio Castro em evento da Cedae – Foto: Cedade · Original e licença

Uma investigação do Núcleo Investigativo do ICL Notícias revelou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), atuou diretamente para favorecer a concessionária Águas do Rio em um litígio bilionário contra a Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae). A manobra permitiu que a empresa deixasse de pagar cerca de R$ 450 milhões à estatal, até que a Justiça fluminense suspendesse a medida em agosto deste ano.

O ponto central da polêmica envolve a contratação, pela concessionária, do advogado Antonio Carlos da Conceição Santos, conhecido como 'Pipo'. Apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Castro, Pipo é figura central em investigações sobre esquemas de corrupção envolvendo o ex-governador. Documentos indicam que, enquanto o governo pressionava por um acordo favorável à empresa, o operador prestava serviços jurídicos à concessionária.

Em 12 de setembro de 2025, o próprio Castro arbitrou a disputa em uma reunião no Palácio Guanabara, autorizando um desconto de 24,13% na conta de água paga pela Águas do Rio à Cedae. Segundo o ICL Notícias, metadados revelam que a ata da reunião decisiva foi redigida pelo próprio presidente da concessionária, e não por órgãos estatais. Relatos de ex-diretores da Cedae apontam que houve pressão do Palácio para que a estatal não se opusesse ao acordo.

A estimativa da Cedae era de que o desconto poderia gerar um impacto de R$ 25 bilhões até o fim dos contratos, em 2056. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a suspender a conciliação após identificar um prejuízo imediato de R$ 805 milhões apenas para o ano de 2025. Mesmo após o recuo da Cedae, a empresa passou a aplicar o desconto de forma unilateral.

Em nota, Cláudio Castro negou favorecimento pessoal e afirmou que a decisão foi técnica, visando evitar o aumento da tarifa para a população. A Águas do Rio, por sua vez, sustentou que o pedido de reequilíbrio baseou-se em auditorias independentes sobre a cobertura de esgoto nos municípios atendidos. A Cedae informou que não se pronunciará por conta do processo judicial em curso.

Fonte: ICL Notícias

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