A conversão de conveniência: Flávio Bolsonaro apaga críticas ao Bolsa Família em meio à corrida eleitoral
Senador tenta esconder postagens antigas onde chamava o programa de 'Bolsa-Farelo', revelando a histórica postura da família Bolsonaro contra políticas de transferência de renda.

Foto: Jair e Flávio Bolsonaro. Foto: Edilson Dantas/Agência O Globo · Original e licença
Em uma tentativa de evitar o desgaste eleitoral na reta final da campanha, o senador Flávio Bolsonaro tem se esforçado para demonstrar um apreço repentino pelo Bolsa Família. A estratégia, no entanto, esbarra em um histórico de ataques ao programa, que agora o parlamentar tenta apagar das redes sociais. Conforme apurado pelo colunista Leonardo Sakamoto, do UOL, o senador iniciou uma varredura em suas publicações antigas, removendo registros onde se referia ao benefício como 'Bolsa-Farelo'.
O resgate dessas postagens, realizado por veículos como O Globo, O Estado de S. Paulo e a AP Exata Inteligência, expõe a contradição. Em 2013, Flávio chegou a afirmar que o PT 'perpetua a pobreza com o bolsa-farelo' e que haveria pessoas que 'precisam trabalhar dobrado para manter quem vive de bolsa família'. A retórica, que agora é substituída por um discurso de defesa do programa, espelha a visão de mundo de seu pai, Jair Bolsonaro.
O ex-presidente também foi um crítico contumaz do benefício durante anos. Em 2012, Jair Bolsonaro chegou a vincular o recebimento do auxílio à 'vagabundagem', alegando que o programa impedia a contratação de trabalhadores domésticos no Nordeste. Em 2015, em entrevista ao colunista Carlos Juliano Barros, do UOL, o então deputado reforçou o estigma ao afirmar que o beneficiário 'não produz nada' e que o programa seria uma 'mentira'.
A mudança de postura da família Bolsonaro ocorre em um cenário onde o governo federal anunciou um reajuste de 15% no valor do benefício, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691 a apenas 17 dias do primeiro turno. Enquanto adversários apontam o timing como eleitoreiro, dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que, entre janeiro e outubro do ano passado, mais de 2 milhões de famílias deixaram o programa por terem alcançado autonomia financeira ou emprego formal.
Para o colunista, a movimentação de Flávio Bolsonaro revela que, na família, o desprezo por políticas sociais parece ser uma constante, enquanto o apoio a elas oscila conforme a necessidade de votos nas pesquisas de intenção.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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