Política · Justiça · Segurança

Articulação golpista: Comandante da FAB negocia cargos com general Heleno em prisão domiciliar

Reportagem revela que o tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno, nomeado por Lula, articula com o condenado Augusto Heleno a estrutura militar de um eventual governo Flávio Bolsonaro.

Foto: Flávio Bolsonaro. Foto: Daniel Ramalho/ AFP · Original e licença

Em um movimento que acende o alerta sobre a estabilidade democrática a poucos dias do segundo turno das eleições, o general da reserva Augusto Heleno, mesmo cumprindo prisão domiciliar, tem atuado ativamente na definição de nomes para o comando das Forças Armadas em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo apuração do ICL Notícias, um dos principais interlocutores do general condenado por tentativa de golpe é o atual comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno.

A articulação, que teria sido discutida em uma reunião com a cúpula da Aeronáutica na última terça-feira (20), vai além das nomeações militares. O grupo planeja uma "anistia geral" para todos os condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nos atos golpistas. Entre os nomes ventilados para postos-chave, destaca-se o de Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e atualmente foragido nos Estados Unidos, cotado para reassumir a direção-geral da Polícia Federal.

Para o Ministério da Defesa, o nome que ganha força nos bastidores é o de Marcos Degaut, executivo do Grupo Edge e figura próxima ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro. A estratégia, descrita por fontes da caserna como uma tentativa de "ajeitar a casa", reflete a expectativa do grupo de Heleno em reverter as condenações impostas pela Justiça brasileira através de uma ofensiva legislativa no Congresso, onde o PL consolidou uma base expressiva.

O tenente-brigadeiro Damasceno, escolhido por Lula em 2023 sob o critério de antiguidade para evitar tensões com a caserna, tem sido alvo de críticas internas por sua postura articuladora. A proximidade com figuras ligadas ao bolsonarismo, como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf — que acompanha a campanha de Flávio Bolsonaro —, reforça as suspeitas sobre o alinhamento do comandante da FAB com os planos da extrema direita.

Em resumo

  • O general Augusto Heleno articula, de sua prisão domiciliar, a estrutura militar de um possível governo Flávio Bolsonaro.
  • O comandante da FAB, Marcelo Damasceno, é apontado como interlocutor direto do general condenado por tentativa de golpe.
  • O plano inclui uma "anistia geral" para golpistas e a nomeação de Alexandre Ramagem para a Polícia Federal.
  • Marcos Degaut, executivo do setor bélico, é o nome cotado para assumir o Ministério da Defesa.

Fonte: ICL Notícias

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaColetivo Judeus pela Democracia anuncia apoio crítico à candidatura de Lula