O caminho para a virada: como o voto nulo e branco pode definir o destino de Lula
Análise aponta que a conquista de eleitores que não escolheram candidatos no primeiro turno é a chave para Lula reverter a disputa contra Flávio Bolsonaro.

Foto: Felipe Nunes Crédito: Felipe Cautella/LIDE · Original e licença
A corrida presidencial de 2026 permanece em um cenário de incerteza, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro travados em um empate técnico. Felipe Nunes, que dirige o instituto Quaest, defende que a solução para o petista superar a desvantagem reside na capacidade de atrair o eleitorado que, no primeiro turno, optou por anular o voto, votar em branco ou simplesmente não compareceu às urnas.
Em reflexão compartilhada no blog Pulso, do jornal O Globo, o especialista argumenta que a migração de votos entre os dois finalistas e a adesão de eleitores de candidatos derrotados — como Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema — apresentam um comportamento estável. Enquanto Lula mantém 95% de sua base original e Flávio retém 94%, o fluxo de votos dos eliminados favorece o candidato do PL, que detém 43% da preferência desse grupo contra 37% do atual presidente.
Diante desse quadro, Nunes destaca que o grupo de eleitores que se absteve ou invalidou o voto no primeiro turno é o único com potencial real para alterar o equilíbrio da disputa. As sondagens mostram que, dentro desse segmento, 40% manifestam intenção de apoiar Lula, enquanto 36% inclinam-se por Flávio. Embora o perfil demográfico desses eleitores — composto majoritariamente por mulheres, pessoas mais velhas e com menor escolaridade — seja historicamente alinhado ao petismo, o diretor da Quaest ressalta que não se deve esperar uma queda brusca na abstenção capaz de decidir o pleito sozinha.
Para ilustrar a possibilidade de virada, o pesquisador resgata o exemplo de 2014, quando Dilma Rousseff conseguiu superar Aécio Neves após um início de segundo turno desfavorável. Naquela eleição, a redução significativa de votos brancos e nulos foi um fator determinante para o triunfo petista. O desfecho de 2026, portanto, dependerá de como esses fluxos se comportarão até a véspera da votação.
Em resumo: - Lula e Flávio Bolsonaro seguem em empate técnico, com margens de 42%-46% e 43%-47%, respectivamente. - A conversão de eleitores que votaram branco ou nulo no primeiro turno é vista como a principal oportunidade para Lula. - Entre esse grupo, 40% declaram voto em Lula e 36% em Flávio.
Fonte: Brasil 247

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