PF apura elos de Flávio Bolsonaro com esquema de apostas e movimentações milionárias
Investigação da Polícia Federal detalha conexões entre o candidato Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e empresas de apostas sob suspeita de lavagem de dinheiro.

A Polícia Federal aprofunda apurações sobre uma rede de interesses que une o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao advogado Willer Tomaz. O foco central dos investigadores reside em possíveis crimes de lavagem de dinheiro envolvendo o mercado de apostas esportivas, com rastreamento de jatos particulares, contas no exterior e o uso compartilhado de sedes empresariais.
Documentos obtidos pela corporação apontam que Flávio Bolsonaro teria acesso como usuário principal a uma conta bancária da Alcazar Holdings, firma de Tomaz sediada na Ilha da Madeira. Essa estrutura empresarial é monitorada por sua conexão com a Cathedral, acionista da Rede Loto, que operou a marca BestBet. A PF questiona a transparência no processo de licenciamento da empresa junto à Loterj, uma vez que os beneficiários finais da Cathedral não foram declarados no momento da autorização.
Outro ponto de atenção é a RioPag, processadora de pagamentos do setor de apostas no Rio de Janeiro, que teria Willer Tomaz como beneficiário. Registros da Loterj apontam um faturamento de aproximadamente R$ 188 milhões entre meados de 2023 e agosto de 2026. A empresa enfrenta atualmente cobranças judiciais por repasses não realizados e multas, enquanto Tomaz nega exercer qualquer função administrativa na companhia.
A relação entre o político e o advogado também se manifesta em viagens de luxo. Em janeiro de 2025, Flávio Bolsonaro e seus familiares utilizaram um jato Legacy 650 para retornar dos Estados Unidos ao Brasil, com custos arcados pela Alcazar Holdings. Adicionalmente, a Cathedral teria custeado deslocamentos aéreos da dupla pela Europa em 2025, incluindo rotas entre Portugal e França. Tanto o candidato quanto o advogado sustentam que se trata apenas de uma amizade pessoal e negam qualquer ilegalidade.
A investigação ainda identificou coincidências geográficas e financeiras. Empresas vinculadas a Flávio Bolsonaro e a Antônio Carlos Camilo, conhecido como Careca do INSS, operam no mesmo endereço em Águas Claras, no Distrito Federal. No mesmo período, entre janeiro de 2023 e julho de 2026, o escritório de advocacia do candidato declarou a emissão de notas fiscais que somam R$ 13,7 milhões.
Em resumo: - A PF investiga Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz por suspeitas de lavagem de dinheiro no setor de apostas. - O candidato foi identificado como usuário de conta em empresa offshore ligada ao advogado. - A RioPag, ligada a Tomaz, faturou R$ 188 milhões processando pagamentos de apostas sob investigação. - Viagens em jatos executivos e o compartilhamento de endereços comerciais integram o conjunto de provas analisado pelos investigadores.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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