Política · Economia

Ameaça ao SUS: Limitar gastos à inflação pode drenar R$ 300 bilhões da saúde pública

Nova análise técnica revela que o congelamento real do orçamento do SUS, atrelado apenas à inflação, comprometeria o financiamento da rede pública e aumentaria o domínio das emendas parlamentares.

O financiamento do Sistema Único de Saúde corre o risco de sofrer um esvaziamento bilionário na próxima década. Uma análise técnica produzida pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde em parceria com a Umane projeta que, caso o governo federal decida corrigir os investimentos no setor apenas pela inflação, o sistema deixará de receber R$ 300 bilhões em dez anos.

Essa mudança de paradigma significaria, na prática, que o orçamento da saúde ficaria estagnado no patamar de 2026, perdendo a capacidade de acompanhar o crescimento da arrecadação nacional. A diferença anual de R$ 30 bilhões, segundo os pesquisadores, é um montante expressivo que ilustra o tamanho do prejuízo para a rede pública.

Para dimensionar o impacto, o levantamento compara essa perda anual com serviços essenciais. O valor seria suficiente para custear, por quase três anos, todas as 57.585 equipes de Saúde da Família que atuam na prevenção e no atendimento básico em todo o país. O montante também equivale a oito vezes o orçamento anual necessário para manter os 3.671 Centros de Atenção Psicossocial, fundamentais para o tratamento de saúde mental e dependência química.

Além do impacto direto no custeio, a pesquisa alerta para uma distorção na gestão dos recursos. Como as emendas parlamentares possuem regras de vinculação à arrecadação que seriam mantidas, elas passariam a dominar uma fatia cada vez maior do orçamento da saúde, reduzindo o espaço para políticas públicas planejadas pelo governo federal. A projeção indica que, até 2036, o investimento federal por habitante seria R$ 300 menor do que o previsto pelas regras atuais.

Em resumo: - A mudança na regra de correção pode retirar R$ 300 bilhões do SUS em uma década. - O valor anual perdido equivale a quase três anos de operação de todas as equipes de Saúde da Família. - O investimento federal por pessoa cairia R$ 300 até 2036 sob o novo modelo. - Emendas parlamentares passariam a ocupar uma parcela desproporcional do orçamento da saúde.

Fonte: Brasil 247

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