A trajetória de Flávio Bolsonaro: do início sob suspeita à ascensão no Senado
Uma análise sobre a carreira política de Flávio Bolsonaro, marcada por inconsistências curriculares, denúncias de cargos fantasmas e proximidade com figuras ligadas a milícias no Rio de Janeiro.

A vida pública de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é cercada por episódios que levantam questionamentos sobre sua conduta e formação. Embora o senador mencione em seu currículo uma pós-graduação em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a instituição esclareceu publicamente que tal curso nunca foi concluído por ele. Sua formação acadêmica oficial limita-se ao Direito pela Universidade Candido Mendes e ao curso de empreendedorismo na Fundação Getulio Vargas.
O ingresso de Flávio na política ocorreu aos 19 anos, quando assumiu um posto de assistente técnico na liderança do Partido Progressista Brasileiro, em Brasília. O período, compreendido entre 2000 e 2002, é frequentemente citado como um exemplo de funcionalismo fantasma. Naquela época, o jovem cursava faculdade presencial e realizava estágio no Rio de Janeiro, o que tornava fisicamente impossível o cumprimento das funções em Brasília. Dados da época indicam que ele recebia um salário que, ajustado pela inflação, superaria os 13 mil reais.
Ao longo de seus quatro mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro adotou posturas controversas em relação à segurança pública. Ele se opôs à criação da CPI das Milícias e chegou a homenagear com a Medalha Tiradentes o policial Adriano da Nóbrega, apontado como integrante do grupo paramilitar Escritório do Crime. Em suas falas na época, o parlamentar argumentava que as milícias supriam uma ausência do Estado em comunidades carentes.
O período na Alerj também foi palco de denúncias sobre o esquema conhecido como rachadinha, que consiste na apropriação de parte dos salários de assessores. A suspeita ganhou força após a revelação de que parentes de Adriano da Nóbrega constavam na folha de pagamento de seu gabinete. Após uma tentativa sem sucesso de governar a capital fluminense em 2016, Flávio conquistou uma vaga no Senado Federal em 2018, obtendo pouco mais de 31% dos votos válidos.
Em resumo: - A UFRJ negou a existência de pós-graduação de Flávio Bolsonaro na instituição. - O início de sua carreira no PPB é apontado como um caso de cargo fantasma, dado que ele vivia no Rio de Janeiro. - O senador homenageou um miliciano com a Medalha Tiradentes e combateu a CPI das Milícias. - Seu gabinete na Alerj foi alvo de investigações sobre o desvio de salários de assessores.
Fonte: Revista Fórum

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