O plano de Flávio Bolsonaro para a Petrobras: entre a negação e o desmonte
Embora negue a privatização, o projeto de Flávio Bolsonaro para a Petrobras sinaliza a continuidade da política de desinvestimentos e mudanças no regime de exploração do pré-sal.

A Petrobras volta a ser o epicentro do debate eleitoral, colocando em lados opostos a defesa da soberania nacional e a agenda de desestatização. Enquanto o candidato Flávio Bolsonaro (PL) nega publicamente a intenção de privatizar a estatal, sua equipe de campanha sinaliza um caminho que, na prática, aprofunda a retirada do Estado do setor energético.
Segundo informações divulgadas pela Bloomberg News, o assessor de campanha Alexandre Chequer afirmou que um eventual governo do senador buscaria conceder maior autonomia à empresa para ampliar o investimento privado. A declaração ganha peso ao ser analisada sob a ótica da gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), cujo legado Flávio prometeu dar continuidade.
O histórico da gestão anterior é marcado por uma intensa política de desinvestimentos. Dados do Dieese revelam que, entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, a Petrobras alienou 63 ativos, movimentando US$ 33,9 bilhões. Entre as operações mais emblemáticas estão a venda da BR Distribuidora, hoje Vibra Energia, e da Transportadora Associada de Gás (TAG), que retiraram da estatal o controle sobre elos estratégicos da cadeia de combustíveis.
Além da venda de ativos, o projeto bolsonarista mira o regime de exploração do pré-sal. Flávio Bolsonaro defende a substituição do regime de partilha — que garante à União uma parcela do petróleo excedente — pelo modelo de concessão. Críticos apontam que essa mudança reduziria a participação direta do Estado na riqueza estratégica do país, transferindo maior fatia da produção para empresas privadas.
A estratégia de desestatização não se limitou ao petróleo. Em junho de 2022, o governo Bolsonaro concluiu a privatização da Eletrobras, consolidando uma agenda que, para especialistas, limita a capacidade do Estado de coordenar investimentos e garantir o abastecimento nacional.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro nega privatizar a Petrobras, mas sua campanha defende maior autonomia para investimentos privados.
- O governo Jair Bolsonaro vendeu 63 ativos da estatal entre 2019 e 2022, incluindo a BR Distribuidora.
- A proposta de substituir o regime de partilha pela concessão no pré-sal pode reduzir a participação da União na renda petrolífera.
Fonte: Revista Fórum

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