Dossiê aponta que Meta lucrou com anúncios irregulares enquanto censurava perfis pró-Lula
Investigação do Sleeping Giants Brasil revela falhas graves na moderação da Meta, com anúncios estrangeiros irregulares e restrições desproporcionais a conteúdos progressistas.

Um dossiê organizado pelo Sleeping Giants Brasil trouxe à tona denúncias graves sobre a atuação da Meta durante as eleições de 2026. O documento, intitulado 'Meta, não se meta nas nossas eleições', aponta que a gigante de tecnologia lucrou com a veiculação de propaganda eleitoral irregular, ao mesmo tempo em que seus algoritmos impuseram restrições desproporcionais a conteúdos progressistas e favoráveis à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A investigação, que contou com a colaboração de pesquisadores e organizações como o NetLab da UFRJ, identificou 1.613 anúncios políticos contratados por anunciantes sediados no exterior, movimentando cerca de R$ 2 milhões. O dado mais alarmante é que 99,5% dessas peças foram pagas em dólares, com 98,1% da origem dos pagamentos vindo dos Estados Unidos, operando sem a devida identificação exigida pela legislação brasileira.
Enquanto anúncios que atacavam instituições circulavam livremente, a censura algorítmica atingia o campo progressista. Segundo levantamento da organização CTRL+Z, 90% das restrições com orientação política identificável foram direcionadas a conteúdos de apoio a Lula. Relatos incluem desde a queda de alcance até o banimento de grupos de WhatsApp sob justificativas infundadas, como a classificação de 'terrorismo'.
A polêmica se estendeu até esta quinta-feira (22), quando a Meta bloqueou trailers de documentários críticos, como 'A última peça', do ICL Notícias, e um episódio da série 'Revelando', sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), alegando uso indevido de inteligência artificial. A empresa nega qualquer favorecimento eleitoral, atribuindo as falhas a problemas técnicos ou ao cumprimento de ordens judiciais.
Em resumo
- O dossiê aponta que a Meta permitiu a circulação de anúncios estrangeiros irregulares, pagos majoritariamente em dólares.
- Pesquisas indicam que 90% das restrições políticas identificadas nas plataformas atingiram conteúdos progressistas.
- A Meta bloqueou produções jornalísticas sob alegações de uso de IA, justificativa contestada pelos produtores.
- A empresa nega viés político e afirma que as medidas de moderação seguem critérios técnicos e legais.
Fonte: ICL Notícias

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