Política

O legado de pólvora: como o governo Bolsonaro inundou o Brasil com armas e munições

Levantamento revela que a política armamentista do governo anterior dobrou o acervo particular de armas e elevou drasticamente o limite de munições no país.

Foto: Durante o governo de Jair Bolsonaro o número de armas em circulação dobrou - Foto: Ton Molina / NurPhoto via AFP) · Original e licença

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação pelo Instituto Sou da Paz e pelo Instituto Igarapé revelam a dimensão da política armamentista implementada durante a gestão de Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, o Brasil viu a entrada de 1.354.751 novas armas em circulação, um crescimento que, segundo especialistas, superou a capacidade de fiscalização do Estado e impôs novos riscos à segurança pública.

O acervo particular de armas no país, que era de 1.320.582 em 2018, saltou para 2.965.439 ao final de 2022. O ápice dessa expansão ocorreu justamente no último ano do mandato, com 553.379 novos registros, sendo a grande maioria vinculada à categoria de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs).

Além do aumento no número de armamentos, a política de munições foi flexibilizada por meio do decreto nº 9.797/19. O limite anual de compra de projéteis subiu de 193 milhões para pelo menos 2,1 bilhões, permitindo inclusive o acesso de civis a calibres anteriormente restritos, como o 9 milímetros. Na época, Bolsonaro justificou a medida como uma questão de liberdade individual.

Especialistas alertam que a facilitação do acesso a armas e munições alimenta o desvio para o mercado ilegal. Um levantamento do Instituto Sou da Paz sobre munições apreendidas com o Comando Vermelho mostrou que mais da metade das balas de fabricação brasileira possuíam rastreabilidade original ligada às Forças Armadas ou instituições de segurança pública. O cenário começou a mudar apenas com a revogação de decretos no governo Lula, que resultou em uma queda de 71,5% nos registros de armas no Sinarm em janeiro de 2023, comparado ao mesmo mês do ano anterior.

Em resumo

  • O acervo de armas particulares no Brasil mais que dobrou entre 2018 e 2022.
  • O limite anual de compra de munições foi ampliado de 193 milhões para 2,1 bilhões de projéteis.
  • Mais de 50% das munições de fabricação nacional apreendidas com facções criminosas tinham origem institucional.
  • A mudança de política no governo Lula reduziu drasticamente os novos registros de armas desde 2023.

Fonte: Revista Fórum

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