ONU deve analisar denúncia sobre supostos vínculos de Flávio Bolsonaro com milícias
A Organização das Nações Unidas examinará em dezembro uma denúncia que aponta a atuação do senador Flávio Bolsonaro em casos envolvendo milícias e agentes de segurança.

A Organização das Nações Unidas (ONU) deve examinar, no final de dezembro, uma denúncia que aponta supostos vínculos do senador Flávio Bolsonaro com milícias no Rio de Janeiro. A informação, apurada pelo jornalista Jamil Chade, indica que a entidade avaliará documentos apresentados pelo advogado Raphael Costa, que questionam a atuação do parlamentar em processos judiciais e sua relação com figuras ligadas a grupos paramilitares.
O cerne da denúncia envolve o caso do assassinato da menina Ana Clara Machado, morta aos cinco anos por um disparo de fuzil em Niterói, em 2021. O policial militar Bruno Dias Delaroli, réu pelo crime, teve a atuação de Flávio Bolsonaro registrada como um dos advogados de defesa em documentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O autor da denúncia argumenta que essa intervenção política e jurídica contribui para um cenário de impunidade e proteção institucional a agentes de segurança.
Além do caso específico, o dossiê entregue à ONU compila uma série de episódios que, segundo o denunciante, justificam uma investigação aprofundada sobre a influência política de Flávio Bolsonaro. Entre os pontos citados estão:
A concessão da Medalha Tiradentes, na ALERJ, ao ex-policial Adriano Magalhães da Nóbrega, apontado por investigações como líder de milícia;
A nomeação de familiares de Adriano da Nóbrega para cargos no gabinete do então deputado estadual;
Declarações públicas feitas pelo senador em 2007, nas quais minimizou as atividades de milícias, classificando-as como uma forma de segurança comunitária;
Relatos de interferência em inspeções judiciais em unidades prisionais que abrigavam policiais suspeitos de envolvimento com grupos criminosos.
O advogado Raphael Costa, que atuou como secretário de Direitos Humanos de Niterói na época do crime contra Ana Clara, sustenta que o conjunto de elementos sugere uma estrutura de proteção política a organizações criminosas. O ICL Notícias confirmou que a agenda da ONU em Genebra, prevista para o período entre 18 e 24 de dezembro, inclui a análise de comunicações recebidas pela entidade.
Em resumo
- A ONU avaliará em dezembro uma denúncia sobre a suposta relação de Flávio Bolsonaro com milícias.
- O documento aponta a atuação do senador como advogado de um policial acusado de homicídio.
- A denúncia inclui homenagens legislativas e vínculos empregatícios passados com figuras ligadas ao Escritório do Crime.
Fonte: ICL Notícias

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