Política

Dados do TCU desmentem Flávio Bolsonaro sobre obras paradas

Checagem revela que declaração do senador sobre redução de obras paradas no governo anterior omite mudanças metodológicas e contexto dos dados.

Foto: Selo ENGANOSO — Checagem em tempo real da Revista Fórum no debate presidencial na Globo - · Original e licença

Durante o debate eleitoral realizado pela TV Globo, o senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou dados sobre obras paralisadas para tentar validar a gestão de seu pai, afirmando que o governo anterior teria reduzido o número de projetos inacabados de 14 mil para 8 mil. No entanto, uma análise técnica dos números do Tribunal de Contas da União (TCU) classifica a declaração como enganosa, uma vez que os dados comparados não possuem a mesma base metodológica.

O diagnóstico de 2019, citado pelo parlamentar, baseou-se em um universo de 38.412 contratos, encontrando 14.403 paralisações. Já o número de 2022, ao final da gestão Bolsonaro, referia-se a um universo menor, de 22.559 contratos, dos quais 8.674 estavam parados. Especialistas apontam que a queda no número absoluto decorreu da alteração no escopo de análise, mantendo a proporção de obras paradas praticamente estável, em torno de 38%.

Além disso, o relator do TCU, Vital do Rêgo, destacou em 2023 a ausência de políticas públicas efetivas entre 2019 e 2022 para solucionar o problema. Sobre o dado atual de 11.469 obras paralisadas, o TCU esclarece que o painel contabiliza projetos financiados com recursos federais independentemente da data de início, o que significa que muitos desses contratos foram firmados em gestões anteriores e não podem ser atribuídos exclusivamente ao atual governo.

Em resumo

  • A redução numérica citada por Flávio Bolsonaro ignora a mudança no universo de contratos analisados pelo TCU.
  • O Tribunal de Contas da União afirmou que não houve política pública específica para sanear obras paralisadas entre 2019 e 2022.
  • O painel atual do TCU engloba obras de diferentes períodos, não sendo correto classificar o total como responsabilidade exclusiva da gestão atual.

Fonte: Revista Fórum

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaPresença de mãe de vítima em debate da Globo expõe atuação jurídica de Flávio Bolsonaro