Mensagens e repasses financeiros ligam filho de Nunes Marques a interesses do Banco Master no STF
Reportagem revela troca de mensagens, pagamentos a consultoria e mudança de voto do ministro Kassio Nunes Marques em processo favorável a Vorcaro

Uma investigação detalhada, publicada pela revista piauí, aponta uma rede de contatos e movimentações financeiras que conecta o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo a apuração, reuniões e pagamentos a uma consultoria ligada a Kevin Marques, filho do ministro, antecederam uma decisão judicial favorável aos interesses do banqueiro na Corte.
O elo central da articulação seria o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Mensagens obtidas pela reportagem mostram que, em abril de 2024, o magistrado sugeriu um encontro entre Vorcaro e o ministro. Em junho, após um almoço na casa de Ramos, o desembargador compartilhou com o banqueiro contatos identificados como sendo de Kassio e Kevin Marques. Poucos dias depois, uma reunião foi agendada na sede do Banco Master, em São Paulo, com o filho do ministro.
Paralelamente aos encontros, o Banco Master iniciou repasses vultosos à empresa Consult. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, a instituição financeira transferiu 6,6 milhões de reais para a consultoria, que, por sua vez, repassou ao menos 282 mil reais a Kevin Marques. Em julho de 2024, o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, chegou a questionar Vorcaro sobre a manutenção de um pagamento mensal de 500 mil reais relacionado ao filho do ministro.
O desfecho do caso ocorreu em outubro de 2024, quando Nunes Marques, que anteriormente havia votado contra a Destilaria Alcídia no TRF1, mudou sua posição no STF. O voto do ministro foi decisivo para desempatar o julgamento na Segunda Turma, favorecendo o Banco Master. Após a vitória, o diretor jurídico da instituição enviou uma mensagem a Vorcaro comemorando o resultado com a frase: “Dominado aqui.”
Em nota, o ministro Kassio Nunes Marques negou as acusações. Ele afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro, nunca votou a favor de seus interesses e não autorizou ninguém a falar em seu nome. O magistrado ressaltou que não pode ser responsabilizado por ações de terceiros.
Em resumo
- O desembargador Newton Ramos atuou como intermediário entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Kassio Nunes Marques.
- Relatórios do Coaf apontam repasses de 6,6 milhões de reais do Banco Master para uma consultoria, que destinou parte dos valores ao filho do ministro.
- Nunes Marques mudou seu voto em um processo de interesse do banco, garantindo uma vitória judicial para a instituição.
- Registros de celular indicam interações entre o banqueiro e um contato atribuído ao ministro, embora este negue qualquer comunicação direta.
Fonte: piaui.uol.com.br

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