Investigação aponta elos suspeitos entre ministro do STF, desembargador e Banco Master
Reportagem revela contatos frequentes, repasses financeiros indiretos e mudança de voto em julgamento de interesse bilionário envolvendo o ministro Kassio Nunes Marques.

Foto: Kassio Nunes Marques Crédito: Alejandro Zambrana/STF · Original e licença
Uma apuração jornalística detalhada trouxe à tona uma rede de conexões entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Kassio Nunes Marques, e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Com base em registros de comunicações e documentos financeiros, a reportagem expõe uma relação próxima mantida durante o trâmite de processos judiciais de grande impacto econômico.
O foco da investigação recai sobre uma alteração de postura do ministro em 1º de outubro de 2024, durante um julgamento na Segunda Turma do STF. Na ocasião, Nunes Marques proferiu o voto decisivo em favor da Destilaria Alcídia, revertendo um entendimento que ele mesmo havia manifestado anos antes. O desfecho da causa era de interesse estratégico para o Banco Master, que detém uma vasta carteira de créditos judiciais vinculados ao setor sucroalcooleiro.
A articulação desses encontros teria contado com a participação do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram que a empresa Consult Inteligência Tributária, que recebeu milhões da instituição financeira, efetuou repasses ao filho do ministro, Kevin Marques. Paralelamente, o escritório de advocacia da esposa do desembargador mantém um contrato com o banco que pode atingir cifras milionárias.
Em suas manifestações, o ministro Nunes Marques refutou qualquer favorecimento, assegurando que seu voto foi técnico e que não mantém relações impróprias com o banqueiro. O desembargador e o filho do ministro também negaram irregularidades, sustentando que suas atividades profissionais seguem a legalidade e não se confundem com as decisões judiciais em curso.
Em resumo: - Investigação aponta contatos entre o ministro Nunes Marques e o banqueiro Daniel Vorcaro, intermediados por um desembargador do TRF1. - O ministro mudou seu voto em um processo de interesse do Banco Master, favorecendo uma usina sucroalcooleira. - Relatório do Coaf mostra repasses indiretos de R$ 282 mil do Banco Master para o filho do ministro, Kevin Marques. - Envolvidos negam qualquer irregularidade ou troca de favores.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.