Lula enfrenta desafio histórico com Congresso mais à direita para o quarto mandato
Reeleito, o presidente Lula terá de lidar com um Legislativo de maioria conservadora, focando em alianças estratégicas para garantir a governabilidade a partir de 2027.

Foto: O presidente Lula aposta na reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre (à dir.) para manter a governabilidade no Congresso - Pedro Ladeira -26.ago.26/Folhapress · Original e licença
Após a vitória histórica neste domingo (25), o presidente Lula (PT) inicia a preparação para o seu quarto mandato diante de um cenário legislativo desafiador. O Congresso Nacional que assume em 2027 apresenta uma configuração mais à direita, com o PL consolidando as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal.
Os números revelam a dimensão do obstáculo: no Senado, 64% dos parlamentares estão alinhados ao campo da direita, enquanto na Câmara esse índice chega a 59%. Para assegurar a governabilidade, o governo petista aposta na estratégia de fragmentar o centrão, oferecendo ministérios e emendas, além de buscar uma articulação próxima com o Supremo Tribunal Federal (STF).
O primeiro grande teste ocorrerá em 1º de fevereiro, com a eleição para as presidências das duas Casas. No Senado, o governo trabalha pela reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para evitar que o comando da Casa caia nas mãos da oposição, representada por nomes como Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). A perda da presidência do Senado seria crítica, pois o cargo detém o poder de travar indicações para o Banco Central, embaixadas e tribunais, além de controlar a pauta de medidas provisórias e CPIs.
Na Câmara, a situação é vista como mais favorável, com o atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) despontando como o principal aliado para a sucessão. Motta, que já articula um bloco com dez partidos, tem mantido uma relação pragmática com o Palácio do Planalto, embora o histórico de convivência tenha sido marcado por oscilações e tensões políticas recentes.
A composição da base aliada será definida nas próximas semanas, sob coordenação do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. O sucesso do novo governo dependerá da capacidade de negociação para acomodar forças políticas em um ambiente onde a oposição, liderada pelo PL, detém um peso parlamentar inédito.
Em resumo
- Lula terá um Congresso com maioria de direita, exigindo negociações intensas para garantir a governabilidade.
- A eleição para as presidências da Câmara e do Senado, em 1º de fevereiro, é o primeiro desafio estratégico do novo mandato.
- O governo busca a reeleição de Davi Alcolumbre no Senado para evitar bloqueios institucionais e travas em indicações cruciais.
- A renovação parlamentar atingiu 33,72% na Câmara e 74% das cadeiras em disputa no Senado.
Fonte: Folha de S.Paulo

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