Aliados de Flávio Bolsonaro inflamam discurso golpista após decisão do STF
Após prorrogação do horário de votação por Zanin, parlamentares bolsonaristas questionam a lisura do pleito e ameaçam contestar resultados.

Foto: Flávio Bolsonaro e Lula durante a votação do segundo turno das eleições de 2026. Foto: Reprodução · Original e licença
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) iniciaram uma ofensiva retórica contra o Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (25), utilizando termos como "golpe" e "fraude" para atacar a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o horário de votação. A medida do magistrado foi tomada após a identificação de dificuldades severas no transporte público em capitais como São Paulo e Salvador, que impediam o acesso de eleitores às urnas.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, a reação do campo bolsonarista foi imediata. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, classificou a decisão como uma "chicana administrativa" e acusou o STF de tentar tumultuar o processo eleitoral. O tom foi acompanhado pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, ao ser questionado sobre a possibilidade de o PL contestar o resultado caso o candidato do partido seja derrotado, respondeu de forma evasiva, sugerindo que o questionamento é uma possibilidade real.
O discurso de deslegitimação do pleito ganhou corpo entre outros parlamentares e figuras próximas ao bolsonarismo. O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) anunciou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Zanin, enquanto o influenciador Pablo Marçal afirmou que a decisão judicial "tem cheiro de golpe". Em transmissão realizada dos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem também levantaram suspeitas sobre a integridade da votação.
Curiosamente, a narrativa de indignação ignora que a própria campanha de Flávio Bolsonaro também protocolou pedidos de extensão do horário de votação em cidades de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, sob a justificativa de condições climáticas adversas. Diante do cenário, o PL orientou seus fiscais a retornarem às seções eleitorais para acompanhar o encerramento da votação e a emissão dos boletins de urna.
Em resumo
- O ministro Cristiano Zanin prorrogou o horário de votação devido a falhas no transporte público.
- Aliados de Flávio Bolsonaro classificaram a decisão como golpe, apesar de a própria campanha ter solicitado extensão em outras regiões.
- Parlamentares bolsonaristas ameaçam pedir o impeachment do ministro e sinalizam que podem contestar o resultado das urnas.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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