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O horizonte de Lula: desafios fiscais e a batalha pela governabilidade no quarto mandato

Após a vitória nas urnas, o presidente Lula assume o desafio de gerir um país polarizado, com um Congresso de oposição e uma conta bilionária de gastos eleitorais para 2027.

Foto: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições - Danilo Verpa/Folhapress · Original e licença

O quarto mandato de Lula começa sob o peso de uma vitória expressiva, mas cercado por um ambiente político adverso. O resultado das urnas, que superou a marca de 4 milhões de votos de diferença, foi validado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, afastando as contestações sobre a lisura do pleito. Contudo, a euforia do triunfo dá lugar a uma realidade legislativa hostil, com um Congresso Nacional, especialmente o Senado, que se apresenta como o mais resistente que o petista já enfrentou em sua trajetória política.

A economia surge como o ponto de maior tensão imediata. A Instituição Fiscal Independente (IFI) calculou que as medidas adotadas durante a reta final da campanha, como a antecipação do Bolsa Família, subsídios aos combustíveis e programas voltados aos MEIs, geraram um passivo de R$ 63,2 bilhões para o orçamento de 2027. O governo sustenta que a estratégia para equilibrar as contas não passará por cortes, mas pelo estímulo ao crescimento do PIB, uma aposta que será testada diante de um mercado financeiro atento aos sinais de responsabilidade fiscal.

Na esfera da governabilidade, o presidente indicou que pretende manter a mobilização popular como ferramenta de pressão, valorizando o papel das redes sociais e defendendo a regulação das plataformas digitais. A estratégia sugere um governo que busca dialogar diretamente com a base para contornar o isolamento parlamentar, uma vez que não houve a formação de uma coalizão ampla com partidos de centro ou direita. O sucesso dessa empreitada dependerá da capacidade de Lula em equilibrar o ímpeto de sua base com a necessidade de pragmatismo institucional.

Em resumo: - O governo Lula enfrenta um Congresso com maioria oposicionista, dificultando a aprovação de pautas. - Medidas eleitorais deixaram um impacto fiscal de R$ 63,2 bilhões para o ano de 2027, segundo a IFI. - A gestão aposta na mobilização popular e no crescimento econômico para evitar ajustes fiscais tradicionais.

Fonte: Folha de S.Paulo

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