Política

Após derrota de Flávio Bolsonaro, Centrão articula aproximação com o governo Lula

Com a vitória de Lula, partidos do Centrão iniciam movimentações para garantir espaço no novo governo e definir estratégias para o comando do Congresso.

Foto: Flávio Bolsonaro anunciou apoio do Podemos e de outros partidos do centrão no segundo turno - Evaristo Sá - 8.out.26/AFP · Original e licença

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas neste domingo provocou um realinhamento imediato no Centrão. Embora o resultado tenha sido um revés para as legendas que apostaram na candidatura bolsonarista, o pragmatismo político já dita o tom: partidos do grupo buscam agora pontes para assegurar participação no quarto mandato do presidente Lula (PT).

A estratégia desenhada nos bastidores indica que o Planalto deve evitar a cooptação de partidos inteiros, preferindo o loteamento de ministérios para alas específicas das siglas, especialmente aquelas com maior proximidade histórica com o petismo, como os diretórios do Norte e Nordeste. O PSD, que manteve neutralidade no segundo turno, surge como o mais otimista em relação a novos espaços na Esplanada a partir de 2027.

O cenário é mais complexo para a federação União Brasil-PP, cujas cúpulas estiveram fortemente alinhadas ao bolsonarismo. Para tentar contornar o isolamento, essas legendas apostam na reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) para a presidência do Senado. A manutenção de Alcolumbre é vista como um contraponto necessário ao avanço da bancada do PL, que, com 29 senadores, busca o comando da Casa para pautar o impeachment de ministros do STF.

Na Câmara, a dinâmica segue caminho semelhante. O Republicanos projeta uma reaproximação com o governo através do apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). O movimento de Motta, que conta com o respaldo do Planalto, isolou as pretensões do PL de assumir o comando da Casa, consolidando a tendência de que o governo precisará negociar com o Centrão para garantir a governabilidade diante de uma base minoritária.

Em resumo

  • O Centrão busca se reposicionar para garantir ministérios no governo Lula 4 após a derrota de Flávio Bolsonaro.
  • O PSD é o partido mais otimista, enquanto a federação União-PP tenta superar o desgaste do apoio ao bolsonarismo.
  • A disputa pelo comando do Congresso em fevereiro de 2027 será o primeiro grande teste de articulação entre o Planalto e o Legislativo.

Fonte: Folha de S.Paulo

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