Política

O desafio de Lula: como tirar do papel as promessas do novo mandato

Presidente reeleito enfrenta um Congresso mais conservador e a necessidade de viabilizar projetos estratégicos e orçamentários.

Foto: Lula discursa na Avenida Paulista após ser reeleito presidente do Brasil - Juan Barreto - 26.out.26/AFP · Original e licença

Após a vitória nas urnas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) traçou uma agenda ambiciosa para o seu novo mandato. No entanto, um levantamento realizado pelo Ranking dos Políticos aponta que a concretização de sete promessas centrais do petista esbarra em dois grandes obstáculos: a necessidade de aprovação legislativa e a viabilidade orçamentária.

Do total de compromissos analisados, quatro dependem diretamente do aval do Congresso Nacional. Entre eles, destaca-se a PEC da Segurança Pública, que aguarda votação no Senado para viabilizar a recriação do Ministério da Segurança Pública. Além disso, pautas como a regulação das big techs, a taxação de plataformas digitais e o lançamento da Inteligência Artificial brasileira enfrentam lentidão ou paralisia nas casas legislativas.

O cenário político para 2027 impõe cautela ao Palácio do Planalto. Com o avanço de bancadas mais à direita, especialmente no Senado — onde o PL projeta uma força de 30 parlamentares —, a articulação política será testada. Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos, avalia que o discurso de vitória focou mais na celebração do que no detalhamento da governabilidade.

Além das barreiras legislativas, três promessas dependem de espaço no Orçamento: a universalização do ensino em tempo integral, o programa Pé-de-Meia universitário e a implementação de UTIs inteligentes. O desafio fiscal é considerável, dado que o pacote de medidas anunciado na reta final da campanha soma quase R$ 300 bilhões, montante que o governo assegura ser compatível com as regras fiscais vigentes.

Em resumo

  • Quatro das sete principais promessas de Lula dependem de aprovação do Congresso Nacional.
  • Três propostas sociais e tecnológicas exigem viabilização orçamentária.
  • O governo enfrentará um Senado com bancada expressiva do PL a partir de 2027.
  • O pacote de medidas de campanha possui um custo estimado de R$ 300 bilhões.

Fonte: Folha de S.Paulo

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