Política

Reeleito, Lula enfrenta quebra-cabeça para acomodar aliados e blindar governo no Congresso

Após a reeleição, o presidente Lula prepara uma reforma ministerial para equilibrar a base aliada e enfrentar um Legislativo com maior presença da oposição.

Foto: O presidente Lula (PT) durante a comemoração de sua vitória em São Paulo - Eduardo Knapp - 26.out.26/Folhapress · Original e licença

Com a reeleição garantida, o presidente Lula (PT) inicia agora o desafio de redesenhar seu primeiro escalão. O processo, que deve ocorrer nas próximas semanas, é visto por petistas como uma tarefa complexa: o governo precisa acomodar aliados de peso que ficaram sem mandato após as eleições, ao mesmo tempo em que lida com um Congresso onde a oposição bolsonarista ganhou musculatura.

Segundo apuração da Folha, o senador Camilo Santana (PT-CE) desponta como o principal nome para assumir a Casa Civil. Já o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deve ser mantido no cargo, conforme sinalizado pelo próprio presidente ao mencionar a continuidade da revolução do SUS. Por outro lado, nomes como Wellington Dias, Vinícius Carvalho e Wellington César podem deixar a Esplanada.

A pasta da Fazenda é alvo de especulações que incluem o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Na Secretaria de Comunicação Social (Secom), a saída de Sidônio Palmeira é dada como certa, com o atual secretário de Imprensa, Laércio Portela, cotado para a sucessão. O deputado André Janones, peça-chave na estratégia digital da campanha, também deve ganhar um papel de destaque, ainda que fora da estrutura ministerial tradicional.

O cenário no Legislativo impõe cautela. A estratégia do Planalto foca em garantir a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando do Senado e da Câmara, respectivamente. A movimentação visa reduzir os atritos com a oposição e facilitar a governabilidade em um ambiente onde o governo precisará, inevitavelmente, dialogar com siglas que não integraram sua base original.

Em resumo

  • Lula planeja mudanças no primeiro escalão para acomodar aliados derrotados nas urnas.
  • Camilo Santana é cotado para a Casa Civil, enquanto Alexandre Padilha deve ser mantido na Saúde.
  • O governo prioriza a reeleição de Alcolumbre e Motta para as presidências do Senado e da Câmara.
  • A nova correlação de forças no Congresso exigirá maior articulação com partidos do centro.

Fonte: Folha de S.Paulo

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