Governo Lula e Justiça do Trabalho endurecem o cerco contra o assédio eleitoral
Ministério do Trabalho e TST articulam medidas rigorosas, incluindo uma possível 'lista suja', para punir patrões que perseguem funcionários por convicções políticas.

Em uma resposta firme aos episódios de perseguição política que ganharam força após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) iniciou uma ofensiva contra o assédio eleitoral. Por meio da Carteira de Trabalho Digital, o governo está enviando alertas diretos aos trabalhadores, orientando sobre como denunciar ameaças de demissão ou discriminação motivadas por escolhas nas urnas.
O ministro Luiz Marinho classificou a prática como uma das formas mais cruéis de violência contra o trabalhador. Em entrevista na última quarta-feira (28), Marinho defendeu a criação de uma 'lista suja' do assédio eleitoral, nos mesmos moldes da que já existe para o trabalho escravo. A medida, que está sendo estudada em conjunto com a Justiça do Trabalho, prevê sanções severas, como restrição ao crédito bancário e perda de contratos comerciais para empresas que utilizarem o poder econômico para coagir funcionários.
O cenário é preocupante: o Ministério Público do Trabalho (MPT) já contabiliza 3.290 denúncias de assédio, com um terço dos registros ocorrendo logo após o pleito. O clima de hostilidade é alimentado por grupos que, nas redes sociais, promovem boicotes e campanhas de demissão contra trabalhadores que apoiaram a reeleição de Lula, em uma tentativa de punir a subjetividade e a consciência política do cidadão.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, reforçou que a liberdade de escolha é um pilar democrático inegociável. Segundo o magistrado, o trabalhador cede sua força de trabalho, mas não sua alma ou sua consciência. 'Não se pode querer capturar a subjetividade dessas pessoas', afirmou o ministro, destacando que a tentativa de controle político dentro das empresas é uma afronta à Constituição.
Para combater os abusos, o MTE orienta que as vítimas formalizem denúncias nos canais oficiais do ministério ou do MPT. Em casos confirmados, o governo poderá convocar as empresas para mesas de negociação, visando a reintegração de demitidos e o pagamento de indenizações, além de realizar fiscalizações in loco por auditores do trabalho.
Em resumo
- O MTE utiliza a Carteira de Trabalho Digital para orientar vítimas de assédio eleitoral a denunciarem abusos.
- Governo e Justiça do Trabalho articulam a criação de uma 'lista suja' para punir empresas que praticam coação política.
- O MPT já recebeu mais de 3 mil denúncias, muitas delas relacionadas a perseguições pós-eleitorais.
- O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, condenou a tentativa de patrões de controlar a consciência política de seus funcionários.
Fonte: ICL Notícias

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.