Política · Justiça

O mistério da fuga milionária: as lacunas na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

Investigações apuram como o senador Flávio Bolsonaro deixou o país após a derrota eleitoral, envolvendo rotas clandestinas, pagamentos obscuros e registros migratórios contraditórios.

Uma semana após a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil rumo aos Estados Unidos, o episódio permanece envolto em contradições e lacunas investigativas. O senador, que deixou o país acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, não possui registros oficiais de saída pelos postos brasileiros, o que forçou a Polícia Federal a abrir apurações sobre a rota utilizada. Estima-se, nos bastidores, que o custo total da operação de fuga possa ter superado a marca de R$ 2 milhões.

Segundo apuração da jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, a saída parece ter sido planejada antes mesmo da determinação judicial que visava reter os passaportes do parlamentar. Enquanto a PF investiga o caso no Brasil, autoridades argentinas também analisam a passagem da família pela Ponte Internacional Tancredo Neves, em Foz do Iguaçu, na noite de 27 de outubro. Documentos de imigração da Argentina revelam uma sequência confusa: o sistema registrou três entradas de Flávio em um intervalo de menos de 40 minutos, utilizando diferentes documentos, incluindo um passaporte italiano e uma carteira de motorista.

O trecho final da viagem, de Puerto Iguazú para Miami, foi realizado em um jato Gulfstream G400 da empresa Baires Fly. O proprietário da aeronave, Luis Grande, confirmou à agência AFP que o fretamento custou cerca de US$ 150 mil, valor quitado por um intermediário residente nos EUA cuja identidade permanece sob sigilo. A operação também envolveu figuras enigmáticas, como o israelense Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, que foi abordado pela PF em Guarulhos dias após cruzar a fronteira na mesma região que o senador.

A entrada de Flávio em solo americano foi autorizada via 'parole' até 2027, utilizando um passaporte diplomático que já havia sido cancelado pela Justiça brasileira. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou participação direta do governo dos EUA no planejamento da fuga, limitando-se a afirmar que a entrada foi permitida por decisão administrativa.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro deixou o Brasil sem registro oficial de saída, utilizando rotas terrestres e aéreas privadas até a Argentina.
  • Registros migratórios argentinos apresentam inconsistências, com três entradas registradas para o senador na mesma noite.
  • O voo internacional custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário não identificado.
  • A entrada nos EUA foi viabilizada por um passaporte diplomático já cancelado pela Justiça brasileira.

Fonte: ICL Notícias

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