De olho no urânio: ex-aliados de Bolsonaro e grupos estrangeiros articulam entrada no setor nuclear
Levantamento revela movimentação de empresas nacionais e internacionais para explorar urânio no Brasil, enquanto governo Lula discute novas regras para parcerias privadas.

Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desenha o novo marco regulatório para parcerias privadas no setor nuclear, uma verdadeira corrida pelo urânio brasileiro ganha corpo. Ao menos cinco grupos empresariais, entre nacionais e estrangeiros, articulam estratégias para ocupar espaço na cadeia produtiva, hoje sob monopólio da estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB).
A movimentação, mapeada a partir de dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) e comunicados corporativos, revela a presença de figuras conhecidas do governo anterior. O grupo Diamante, por exemplo, escalou o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e o ex-presidente da ENBPar, Ney Zanella dos Santos, para liderar sua investida. A empresa, inclusive, firmou parceria com a estatal russa Rosatom para criar a Nadina Minerals, focada em projetos de mineração.
O interesse privado é vasto e abrange desde a pesquisa mineral e a recuperação de urânio associado a terras raras até o desenvolvimento de microrreatores. Além do grupo Diamante, companhias como a Atlas Critical Minerals, a australiana Core Energy Minerals e a Brazilian Rare Earths (BRE) já mapeiam áreas com potencial geológico ou planejam testes industriais em estados como Goiás, Paraíba, Rio Grande do Sul e Bahia.
O setor aguarda um decreto federal que detalhará como as parcerias com a INB poderão ser operacionalizadas. Atualmente, o Brasil ainda depende de serviços externos para etapas cruciais, como a conversão e parte do enriquecimento do urânio, antes que o material retorne ao país para a fabricação de combustível para as usinas de Angra dos Reis.
Em paralelo, o mercado observa a entrada da família Batista no setor nuclear. Em outubro de 2025, a Globe Investimentos, family office dos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquiriu a participação da Eletrobras na Eletronuclear. Embora a empresa negue interesse direto na exploração mineral, a movimentação é vista como um passo estratégico no setor de energia.
Em nota, o BNDES informou que um consórcio foi selecionado para modelar as futuras parcerias, com previsão de apresentação das propostas para o segundo trimestre de 2027. A Casa Civil e o Ministério de Minas e Energia reforçaram que o tema segue em análise técnica, visando equilibrar os aspectos estratégicos e econômicos da soberania nuclear brasileira.
Em resumo
- Grupos privados, incluindo ex-dirigentes do governo Bolsonaro, buscam atuar na exploração de urânio no Brasil.
- O governo Lula prepara um novo modelo de parceria com a estatal INB para atrair investimentos ao setor.
- Empresas estrangeiras e o grupo dos irmãos Batista já se posicionam em projetos de mineração e energia nuclear.
- O BNDES coordena estudos para definir o modelo de negócio, com previsão de resultados para 2027.
Fonte: ICL Notícias

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