Política · Justiça · Segurança

Livro revela bastidores e hostilidade contra Lula durante prisão em Curitiba

Obra do agente Jorge Chastalo Filho detalha os 580 dias de custódia do presidente, expondo desde ataques via rádio até o rigoroso esquema de segurança montado pela Polícia Federal.

Foto: Luiz Inácio Lula da Silva e o agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho na Superintendência da PF em Curitiba. Foto: Reprodução · Original e licença

Nesta terça-feira, 3 de novembro, chega às livrarias a obra Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula, escrita pelo agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho. O livro documenta o período em que o atual presidente esteve detido na sede da corporação em Curitiba, entre 2018 e 2019, oferecendo uma visão interna sobre os procedimentos e o clima de tensão que marcaram aqueles meses.

Um dos momentos mais críticos descritos pelo autor ocorreu logo na chegada. Durante o voo de helicóptero que levava o petista do aeroporto até a superintendência, o rádio da aeronave foi invadido por outros pilotos que proferiram ofensas e sugeriram que o passageiro fosse descartado pela janela. O comandante do voo precisou intervir, exigindo profissionalismo, enquanto a torre de controle do aeroporto Bacacheri advertiu que as comunicações estavam sendo gravadas e poderiam servir como prova contra os agressores.

Chastalo relata que a preparação para a custódia envolveu quatro planos de segurança distintos e uma rotina exaustiva para a equipe. O agente confessa que, por desconfiar da segurança interna, chegou a solicitar marmitas de restaurantes externos para o detento, temendo que a comida servida no local pudesse ser alvo de algum tipo de sabotagem ou envenenamento. A cela, descrita como um ambiente austero com janelas correntadas, era mantida sob vigilância constante.

O período de 580 dias de cárcere terminou em novembro de 2019, após o Supremo Tribunal Federal alterar o entendimento sobre a execução de penas antes do trânsito em julgado. Anos depois, em 2021, a Corte anulou as condenações, reconhecendo a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para conduzir os processos.

Em resumo: - O agente Jorge Chastalo Filho publica livro com memórias sobre a custódia de Lula na PF. - Relatos apontam hostilidade de terceiros via rádio durante o transporte aéreo do presidente. - A obra detalha medidas de segurança, incluindo o receio de envenenamento da alimentação. - O texto revisita os 580 dias de prisão, encerrados após decisões do STF que anularam os processos.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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