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Os bastidores da cela: agente da PF narra o cotidiano de Lula durante o cárcere em Curitiba

Livro de Jorge Chastalo Filho detalha os 580 dias em que o atual presidente esteve detido na sede da Polícia Federal, revelando desde tensões no transporte aéreo até a rotina de isolamento e cuidados com a segurança do petista.

Foto: O agente Jorge Chastalo Filho acompanha Lula (PT) para primeira entrevista depois que foi preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba - Marlene Bergamo - 26.abr.19/Folhapress · Original e licença

O agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho, que acompanhou de perto a rotina de Luiz Inácio Lula da Silva durante os 580 dias em que o atual presidente esteve preso em Curitiba, lança nesta terça-feira (3) a obra Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula. O livro, publicado pela editora WMF Martins Fontes, reúne relatos cronológicos sobre o período iniciado em abril de 2018, após a condenação do petista nos processos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia.

Em um dos episódios narrados, Chastalo descreve o trajeto de helicóptero entre o aeroporto Afonso Penna e a sede da PF. Durante o voo, o agente relata ter ouvido, via rádio, manifestações hostis de terceiros que sugeriam que o então preso fosse jogado da aeronave. A situação foi prontamente contida pelo comandante do voo e pela controladora de tráfego aéreo, que alertaram sobre a necessidade de manter a comunicação restrita a fins operacionais e sobre o registro das falas.

O autor detalha que a preparação da unidade policial para receber o petista envolveu dias de planejamento. Ao chegar ao local, Lula apresentava uma postura silenciosa e abatida. Preocupado com a integridade física do detento, Chastalo relata ter optado por fornecer refeições externas nos primeiros dias, por receio de que a alimentação servida na unidade pudesse ser alvo de sabotagem.

A obra também aborda as condições da cela, descrita como um espaço simples com mobiliário desgastado e janelas com aberturas mínimas. O agente recorda momentos de tensão e tristeza, como a morte do neto de Lula, Arthur, em 2019, e a indignação do presidente ao ser informado sobre o furto de seu passaporte. Segundo o relato, as conversas entre ambos giravam frequentemente em torno de política, incluindo observações de Lula sobre a Operação Lava Jato e figuras públicas como a ministra Marina Silva.

O lançamento do livro foi planejado para ocorrer após o período eleitoral, com o objetivo de evitar que o conteúdo fosse interpretado como uma ferramenta de campanha. O projeto, que contou com a edição do jornalista Lino Bocchini e mediação do colunista Juca Kfouri, busca oferecer um registro histórico sobre o período que antecedeu a anulação das condenações pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, decisão que também reconheceu a suspeição do ex-juiz Sergio Moro.

Em resumo: - O agente Jorge Chastalo Filho publica livro com memórias dos 580 dias de prisão de Lula em Curitiba. - O relato inclui episódios de hostilidade durante o transporte aéreo e medidas de segurança adotadas pela PF. - A obra narra o cotidiano na cela, a relação entre o agente e o petista e momentos marcantes como a perda do neto de Lula.

Fonte: Folha de S.Paulo

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