O tiro que pode sair pela culatra: por que o PL freia o impeachment no STF
Articuladores conservadores avaliam que pedidos de impeachment contra ministros do Supremo poderiam entregar ao governo Lula o controle da maioria da Corte.

Foto: Crédito: Gustavo Moreno/STF · Original e licença
A ofensiva de parlamentares da extrema-direita contra o Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um obstáculo estratégico que ameaça travar os planos de impeachment na próxima legislatura. Segundo análise do jornalista Cássio Casagrande, publicada no portal Jota, o ímpeto de novos congressistas eleitos para 2027 esbarra em um cálculo político que pode fortalecer, em vez de enfraquecer, o governo Lula.
O dilema central reside na abrangência das denúncias. Ao mirar Alexandre de Moraes, a oposição se vê forçada a lidar com questionamentos que também alcançam aliados. O ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro, e o ministro Dias Toffoli também seriam atingidos por acusações similares envolvendo relações profissionais e empreendimentos privados. A estratégia, portanto, corre o risco de se tornar um efeito bumerangue.
O maior temor dos articuladores conservadores mais experientes é o impacto na composição da Corte. Caso o Senado avance com a cassação de magistrados, o presidente Lula herdaria a prerrogativa de indicar os substitutos. Somando essas vagas às aposentadorias previstas de Luís Roberto Barroso, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Gilmar Mendes, o Executivo teria a oportunidade de preencher sete das onze cadeiras do tribunal.
Diante desse cenário, a tendência é que o discurso inflamado nas redes sociais não se traduza em ações concretas no Congresso. Nos bastidores, a ordem entre os líderes do PL é conter o avanço dos processos para evitar que a oposição entregue ao governo a chance de redesenhar a maioria do STF por décadas.
Em resumo
- Parlamentares do PL avaliam que o impeachment de ministros do STF pode fortalecer o governo Lula.
- Investigações contra Moraes poderiam atingir também Nunes Marques e Toffoli.
- O governo teria a chance de indicar sete novos ministros, consolidando maioria na Corte.
- Articuladores conservadores trabalham para conter o ímpeto de parlamentares novatos.
Fonte: Brasil 247

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