Política · Economia

BC trava queda dos juros e ignora desaceleração econômica após vitória de Lula

Em decisão unânime, o Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo ciclo de cortes e reacendendo críticas sobre a influência do mercado financeiro na política monetária.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. A medida, que interrompe uma sequência de cinco cortes consecutivos, ocorre em um cenário de desaceleração econômica reconhecida pela própria autoridade monetária e marca o primeiro posicionamento do colegiado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão foi unânime e contou com o voto de Gabriel Galípolo, indicado pelo governo para a presidência da instituição. O movimento frustrou expectativas de parte do mercado que, antes do segundo turno das eleições, projetava a continuidade da redução dos juros. A mudança de postura coincidiu com uma forte volatilidade nos ativos financeiros após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que incluía uma alta de 9,19% no dólar e uma queda de 13,88% no Ibovespa no pregão seguinte ao pleito.

Embora o BC classifique a política monetária como "substancialmente contracionista", o cenário de crescimento projetado para os próximos anos é modesto: 1,8% em 2026 e 1,4% em 2027, após a expansão de 3,4% registrada em 2024. A manutenção dos juros elevados é alvo de críticas de economistas como André Lara Resende, que aponta a taxa como o principal motor do desequilíbrio fiscal. Segundo dados levantados pelo ICL Notícias, as despesas com juros da dívida pública somaram cerca de R$ 1,2 trilhão nos 12 meses encerrados em setembro, superando largamente o déficit primário de R$ 70,1 bilhões.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou duramente a decisão, sugerindo que a interrupção dos cortes atende a interesses do mercado financeiro em detrimento da vontade popular expressa nas urnas. O debate sobre a autonomia do Banco Central ganha novo fôlego, com críticos questionando se a independência institucional não estaria servindo como um isolamento das necessidades sociais e produtivas do país.

Em resumo

  • O Copom manteve a Selic em 13,75%, interrompendo cinco cortes seguidos.
  • A decisão ocorre em meio a um cenário de desaceleração econômica e pressão do mercado financeiro.
  • O custo dos juros da dívida pública atingiu R$ 1,2 trilhão em 12 meses, superando o déficit primário.
  • A ata da reunião, que detalhará os motivos da interrupção, será divulgada no dia 10 de novembro.

Fonte: ICL Notícias

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