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O bolso falou mais alto: por que a economia derrubou os planos de Trump nas urnas americanas

A derrota republicana nas eleições de meio de mandato nos EUA reflete a frustração popular com o custo de vida, segundo a socióloga Gisele Agnelli, que vê novas brechas para a diplomacia brasileira.

Foto: O senador eleito James Talarico e a governadora eleita Gina Hinojosa. Foto: Divulgação · Original e licença

O resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que conferiu maioria democrata tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes, não deve ser interpretado como uma conversão ideológica do eleitorado americano. De acordo com a socióloga e cientista política Gisele Agnelli, o veredito das urnas foi, acima de tudo, um referendo sobre a economia. A promessa de Donald Trump de restaurar o poder de compra das famílias, pilar central de sua eleição em 2024, não se concretizou na prática, gerando um desgaste profundo.

Agnelli, que atua no movimento Hoosier Women Forward, argumenta que a pauta da democracia, embora relevante, ficou em segundo plano diante das dificuldades cotidianas. Para a especialista, o cidadão comum votou movido pela insatisfação com os preços dos alimentos, da energia e da moradia. Ela observa que a administração Trump falhou ao priorizar agendas internacionais custosas em detrimento das necessidades domésticas, o que acabou por alienar parte de sua base e dos eleitores independentes.

O cenário pós-eleitoral impõe desafios e oportunidades para o governo brasileiro. Com o Legislativo americano agora sob controle democrata, a socióloga defende que o Brasil precisa diversificar seus interlocutores em Washington. Ela sugere que o governo Lula e o PT devem superar a desconfiança histórica e buscar alianças institucionais com o Congresso americano, utilizando comissões parlamentares para tratar de temas como comércio e direitos humanos, sem depender exclusivamente da diplomacia oficial com o Executivo.

Apesar da derrota, Agnelli adverte que o trumpismo mantém sua estrutura de poder. Como um presidente que não pode mais buscar a reeleição, Trump tende a se tornar um gestor de fim de mandato, o que pode levar a uma postura ainda mais agressiva. A especialista prevê que, diante de um Legislativo hostil, o presidente deve intensificar o uso de decretos e medidas unilaterais para contornar o bloqueio parlamentar, mantendo o foco em áreas onde o Executivo detém maior autonomia, como a política externa e de segurança.

Em resumo: - A economia e o custo de vida foram os fatores determinantes para a derrota republicana nas eleições de 2026. - A nova maioria democrata no Congresso dos EUA cria oportunidades para o Brasil ampliar sua diplomacia parlamentar. - A condição de fim de mandato de Trump pode resultar em um aumento de medidas unilaterais e agressividade do Executivo. - A esquerda brasileira deve buscar alianças institucionais estratégicas nos EUA para além da relação direta com a Casa Branca.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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