O peso bilionário dos juros: Tesouro revela custo de R$ 476 bilhões para o Estado
Relatório do Tesouro Nacional aponta que cada ponto percentual na Selic custa quase meio trilhão aos cofres públicos, evidenciando contradições na política de austeridade.

Um levantamento oficial do Tesouro Nacional trouxe à tona uma das maiores contradições da política econômica brasileira: enquanto o mercado financeiro pressiona por cortes severos em investimentos e programas sociais, a manutenção de juros elevados impõe um custo astronômico aos cofres públicos. Segundo o Relatório de Riscos Fiscais da União de 2026, um aumento de apenas um ponto percentual na taxa Selic pode custar R$ 476 bilhões ao Estado entre 2027 e 2030.
Os números detalham o impacto direto da política monetária no endividamento do país. Apenas em 2027, uma Selic um ponto acima da trajetória projetada elevaria as despesas em R$ 78,3 bilhões. Por outro lado, o documento aponta que uma redução de um ponto percentual abaixo do cenário central geraria uma economia de R$ 463,6 bilhões no mesmo quadriênio. O cálculo considera uma Selic média de 12,5% em 2027, com queda gradual até 8,3% em 2030.
A disparidade ganha contornos políticos ao observar quem se beneficia dessa conta. Conforme apuração do ICL Notícias, bancos e fundos de investimento detêm cerca de R$ 3,37 trilhões em títulos públicos atrelados à Selic. Esse montante representa quase 70% dos papéis dessa modalidade, colocando o setor financeiro na posição de principal credor do Estado, justamente o segmento que mais exige austeridade fiscal do governo.
O debate ganha urgência após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 13,75% ao ano na última quarta-feira (4). A decisão, que interrompeu um ciclo de quedas, foi justificada pelo Banco Central com base em incertezas econômicas. Contudo, o relatório do Tesouro reforça a tese de economistas como André Lara Resende, que questionam a eficácia de juros altos para a estabilização da dívida, argumentando que a própria política monetária acaba por pressionar o orçamento público.
Em resumo
- O Tesouro estima que cada ponto percentual na Selic custa R$ 476 bilhões aos cofres públicos até 2030.
- Bancos e fundos concentram R$ 3,37 trilhões em títulos públicos, sendo os maiores beneficiários dos juros altos.
- O Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano, ignorando o impacto fiscal da decisão sobre a dívida pública.
Fonte: ICL Notícias

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