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BRASÍLIA - Depois de alterar ao menos cinco vezes o cronograma de entrega de vacinas para covid-19, o Ministério da Saúde decidiu que não irá mais divulgar a previsão de doses que espera receber a cada mês. A mudança foi confirmada ao Estadão pela própria pasta. O ministério argumenta que esses dados devem ser coletados, agora, diretamente com os fabricantes.
Após a publicação da reportagem, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, contrariou a informação repassada por sua assessoria de imprensa e disse, em entrevista no Rio de Janeiro, que o cronograma ainda será divulgado. Na mesma ocasião, uma assessora do ministro indicou um link que contém um cronograma divulgado no dia 19 de março, que contém informações desatualizadas.
A informação de que o cronograma não seria mais divulgado foi repassada pelo ministério ao Estadão na quinta-feira, 8, após a reportagem questionar sobre a previsão de entrega de vacinas em abril. Na ocasião, a assessoria de imprensa do ministro disse que, a partir daquela data, só iria informar como as doses já recebidas das fabricantes serão enviadas aos Estados. A previsão do total de doses que serão entregues em abril e nos meses seguintes, porém, não foi divulgada.
O governo está sob pressão para ampliar o ritmo de vacinação. Por falta de doses, algumas cidades interromperam a campanha de imunização. A prefeitura de Belo Horizonte informou na quinta-feira, 8, que aguarda novos lotes para voltar a aplicar vacinas na capital mineira. No começo da semana, o governo do Distrito Federal fez o mesmo.
Os primeiros cronogramas de entrega de vacinas foram divulgados em fevereiro, quando o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello tentava esfriar críticas sobre a demora do governo federal em apresentar estas projeções. As versões iniciais desse documento já se mostravam inviáveis.
Ao prever o número de doses fornecidas mês a mês a Estados e municípios, a Saúde ignorava atrasos na entrega de insumos farmacêuticos ativos (IFA) para a produção de vacinas na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e no Instituto Butantan. Também somava dados da Sputnik V e Covaxin, imunizantes que ainda sem aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Pela previsão de fevereiro, o Brasil encerraria o mês de março com 68 milhões de imunizantes distribuídos. Segundo dados dessa quinta-feira, 8, foram entregues 45,2 milhões de doses.
- Aeronave C-105 Amazonas da @fab_oficial decolou di 22/3 de Manaus/AM, com destino a Natal/RN, transportando 70 concentradores de oxigênio que serão utilizados no atendimento a pacientes com COVID-19. @DefesaGovBr pic.twitter.com/Zx1hl3PYen
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) March 24, 2021