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14/4/2021 14:42

Delegado da PF, Felipe Leal, que apontou ilegalidade no inquérito do STJ contra a Lava Jato é afastado

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1389 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA - A nova direção da Polícia Federal decidiu tirar do comando do setor de inquéritos contra políticos, o Sinq, o delegado Felipe Leal, que recentemente assinou um relatório apontando ilegalidades no inquérito aberto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra a Lava-Jato com base nos diálogos obtidos por meio de ataque hacker. No documento, o investigador ressaltou que a prova tinha "origem ilícita" e apontou que utilizar esses diálogos poderia resultar em crime de abuso de autoridade. Para seu lugar foi escolhido o delegado Leopoldo Lacerda, que chefiava a delegacia de combate ao crime organizado em Alagoas.



A manifestação do delegado Felipe Leal foi feita a partir de um relatório da perícia sobre os diálogos obtidos pelo hacker, que concluía não ser possível confirmar a autenticidade. O delegado chegou a escrever que prosseguir com uma investigação nessas bases resultaria na "eutanásia dos rumos da Polícia Judiciária", atingindo "todos os princípios que inspiram a atuação policial".

O inquérito havia sido aberto de ofício pelo presidente do STJ Humberto Matins para investigar os procuradores da Lava-Jato. O novo diretor-geral da PF, Paulo Maiurino, trabalhava com Martins e havia sido designado justamente para realizar as diligências do inquérito contra a Lava-Jato, como revelou O GLOBO. A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu a investigação por entender que a prova era ilícita.

O ofício do delegado provocou mal-estar na cúpula da PF, que o considerou "excessivamente opinativo", de acordo com fontes ouvidas pelo GLOBO. A direção da PF, entretanto, afirma que a substituição de Felipe Leal já estava prevista antes desse ofício vir a público e não tem relação com esse assunto.



O Serviço de Inquéritos (Sinq) é uma área estratégica da PF em Brasília por ser o setor responsável por todas as investigações em andamento contra políticos que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O delegado escolhido para o cargo é próximo do novo diretor de investigação e combate ao crime organizado, Luís Flávio Zampronha. Leopoldo Lacerda atua há 15 anos na PF, a maior parte do tempo na área de combate ao crime organizado. Trabalhou em casos como uma operação de desvios de recursos da saúde do Estado do Maranhão, a Sermão dos Peixes, e uma grande investigação sobre corrupção na Assembleia Legislativa de Rondônia em 2006, a Operação Dominó. Também investigou desvios na Cidade Administrativa de Minas Gerais, obra do governo do tucano Aécio Neves, e suspeitas envolvendo o ex-governador petista de Minas Fernando Pimentel.

Zampronha, por sua vez, é um delegado respeitado internamente por ter atuado na investigação do mensalão petista. Mais recentemente, foi o responsável pela investigação da Operação Spoofing, que prendeu os hackers responsáveis pela invasão dos celulares de autoridades públicas. Tinha relação antiga com Maiurino, devido à investigação do mensalão mineiro, e por isso foi convidado para dirigir a Dicor, uma das diretorias mais sensíveis da PF por comandar as principais investigações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Repercussão negativa

A movimentação repercutiu negativamente nos bastidores da PF. Embora a troca de equipes de comando seja considerada natural quando ocorre mudança do diretor-geral da PF, delegados têm apontado um possível vínculo entre o ofício do delegado Felipe Leal sobre os hackers e sua saída do cargo. O nome do novo chefe do Sinq, entretanto, foi bem recebido dentro da PF, por ser considerado um delegado com experiência na área de combate à corrupção.

Quando o diretor-geral anterior, Rolando Alexandre de Souza, assumiu o cargo em maio do ano passado, ele não mexeu no Sinq, por exemplo. A antiga chefe do setor, a delegada Christiane Machado, só deixou o cargo seis meses após a posse de Rolando. Além disso, o escolhido para substitui-la, Felipe Leal, já atuava no Sinq há alguns anos.

Felipe Leal coordenou, dentre outros trabalhos da PF, as operações realizadas contra o governador afastado do Rio, Wilson Witzel, por suspeitas de desvios na área da saúde e participou de diligências do inquérito das fake news determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes. O delegado é respeitado internamente e considerado um quadro técnico.

Na terça-feira, a direção da PF já havia substituído o coordenador de corrupção e lavagem de dinheiro Thiago Delabary, a quem Felipe Leal estava subordinado. Delabary tinha longa experiência em investigações contra políticos, por ter atuado em inquéritos relevantes da Lava-Jato. Para seu lugar, foi designado o delegado Isalino Giacomet Júnior.

Maiurino também trocou o superintendente da PF em São Paulo e nomeou o delegado Rodrigo Bartolamei para o cargo. A escolha também repercutiu negativamente, porque ele estava lotado atualmente no Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo de Jair Bolsonaro.

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