Política

Abstenção recorde no primeiro turno impõe desafio estratégico à campanha de Lula

Dados sobre a ausência de eleitores em redutos adversários complicam a meta do PT de ampliar a votação no segundo turno das eleições.

Foto: Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução · Original e licença

O alto índice de abstenção registrado no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, tornou-se um obstáculo central para a estratégia de reeleição do presidente Lula (PT). Segundo informações divulgadas pela revista Veja, cerca de 33,4 milhões de eleitores deixaram de comparecer às urnas, com as maiores taxas de ausência concentradas em estados onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) obteve vantagem, como Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

Diante desse cenário, a campanha petista definiu uma diretriz clara para o segundo turno: concentrar esforços de mobilização, carreatas e corpo a corpo prioritariamente no Nordeste e em municípios onde o presidente já lidera. A avaliação interna é de que o potencial de crescimento de votos é maior nessas regiões, enquanto áreas com alta abstenção e histórico de votação favorável ao adversário foram deixadas fora do foco principal.

Levantamento do cientista político Marco Antonio Faganello, doutor pela FGV, aponta que Uruguaiana (RS) lidera o ranking de abstenção entre cidades com mais de 100 mil habitantes, atingindo 28,4%. A lista segue com Itanhaém (SP), com 28%, e Teófilo Otoni (MG), com 27,5%. Para o especialista, o desafio do PT é complexo, uma vez que Flávio Bolsonaro consolidou apoios importantes, como os dos governadores Ronaldo Caiado, Romeu Zema e do político Cury.

Faganello avalia que, para reverter o quadro, a campanha de Lula precisará intensificar as críticas ao adversário e buscar a conversão de votos nulos. O analista pondera, contudo, que o senador já conta com o suporte do Centrão, o que, segundo sua análise, coloca o candidato do PL em uma posição confortável na disputa.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaPor que reduzir a maioridade penal é um erro estratégico para a segurança pública